sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Equilibrio

- Já estamos sentados aqui faz muito tempo e você ainda se remoendo de culpa??? Fala sério, vai...
-Acho que as coisas seriam diferentes, eu poderia ter agido de outra forma...
-É, poderia, mas não o fez, vai continuar sentado aí olhando para baixo até quando?
-Não sei, até eu conseguir entender, quem sabe?
-Papo furado, você não percebeu que seu tempo passou, você foi esquecido, você é a segunda opção.
-Talvez. E você também não se sente assim?
-Deveria?
-Não sei, não sei mais o que responder, antes eu achava que sabia as respostas...
-É, o tempo passou, você não é mais o mesmo, olha a sua volta, tudo mudou e você ainda fica aí choramingando, você já teve atitude, lembra?
-Sabe, é estranho ouvir algo assim, ainda mais de você...
-Que bom, agora vai querer ser superior, pelo menos sinto alguma reação.
-É... quem sabe...
-Começou de novo? Olha, já estamos aqui tem um tempo e você começou a desabafar só agora, nem sei mais o que é tempo de tanto tédio que sinto aqui.
-Você sempre soube que procuro calmaria e ainda assim me procurou. E ainda reclama?
-Sim, reclamo, é meu dever, vamos lá, levanta daí o mundo não vai para de girar, evoluir... e você pode fazer parte disso.
-Não sei se ainda vale a pena...
-É, então fica aí parado mesmo, fica olhando pra baixo, que legal, ... deve ser muita adrenalina...
-Você tem que ser sempre tão sarcástico?
-Você acharia que eu mudei se eu não fosse...
-Isso é...
-Vai, vamos, levanta daí e vamos dar uma volta, não custa nada. E você ainda pode se divertir.
-É... pode ser depois?
-Não, não pode, vamos agora.
-Então me diz uma coisa...
-Se você vier com a mesma ladainha eu vou embora.
-Mas é você quem vem me procurar, sempre.
-Ok, vamos deixar os detalhes de lado, pergunte.
-Por que? Eu preciso saber o por que...
-Eu sabia, nem sei há quanto tempo você tá nessa... me recuso a falar disso de novo.
-Mas você nunca quer responder, vamos, diga.
-Hum... tá... você realmente vai se levantar se eu disser?
-Acredito que sim, se você me convencer.
-Droga. Por isso que demoro pra te procurar, tá vendo, é sempre a mesma coisa, eu vou embora.
-Vai, faça como todo mundo já fez.
-Certo, você quer respostas? Quem diria, que justamente eu iria te responder isso, chega a ser cômico se não fosse trágico.
-Ainda estou esperando.
-A culpa é sua sim.
-Como?
-Ah, você queria o que? Depois de tudo que você fez, ainda tem gente que duvida de você, ok, faz muito tempo, talvez você ache que precisa provar alguma coisa de novo, sabe o que eu acho? Precisa de nada disso não, você é quem tem que se levantar e ver que tudo tá diferente desde aquela época, não são mais as mesmas pessoas, existem outras preocupações hoje, lembra que eu te falei de evoluir, pois bem, foi o que aconteceu. Só que você parou.
-Então é culpa minha, realmente não precisam de mim.
-Não disse isso... ahh dane-se, vou me arrepender disso depois, mas...
-Hum...
-Você teve forças para fazer tudo o que fez, você mostrou todos os caminhos, foi embora quando tinham aprendido tudo, você fez as escolhas assim como eu fiz.
-É, você foi embora, até você...
-Sim, mas eu tinha outros motivos.
-Eu sei. E agradeço.
-Olha aqui, vamos deixar de sentimentalismo, a gente tá aqui sentado olhando para a Terra, vemos como o mundo mudou, mas vai por mim, o mundo ainda acredita em você, ainda tem fé em você, existem ateus, é claro, mas ninguém pode obrigar ninguém a fazer o que não quer, ou acreditar em algo que tem duvidas, você me ensinou isso.
-Isso sim foi impressionante.
-Eu sei que você se sente desconfortável porque o mundo que você deixou, mudou e hoje em dia as coisas são totalmente diferentes, olha ali embaixo, teve muita revolução, teve evolução do ser humano, eles são diferentes, mas ainda são a sua própria imagem.
-Assim como você.
-Eu já disse, só escolhi outro caminho porque não acreditava em tudo e acho ainda isso aqui muito monótono.
-Você nunca gostou do Paraíso não é Lucio?
-Já passaram milhares de anos, já disse que é Lucifer.
-Eu sei, mas Lucio é um nome mais bonito.
-Ok, Jesus, agora você já está sorrindo e me fez relembrar da época que fiz parte disso, preciso ir embora antes que você me dê uma aureola de novo.
-Não, não faria isso, você, apesar de tudo tem razão, acima de tudo eu dei livre arbítrio para a humanidade, eles escolhem no que acreditar. E me sinto melhor mesmo, parece que ouço preces ainda.
-Ah é?
-Parece que alguém anda deixando a maldade de lado.
-Não começa.
-Não foi você?
-Você tem milhares de emissários lá embaixo, porque justo eu iria devolver a fé deles em você?
-Porque você, nunca perdeu a fé em mim, do contrário, não conversaríamos mais. Mas você sempre vem aqui e tenta me fazer acreditar na humanidade, me fazer ver que a fé em mim ainda existe, porque alguém que se diz tão mal faria isso?
-Não, não vou responder.
-Não precisa, eu sei a resposta, posso sentir em você. Apesar de tudo, você começou aqui, você não tem seguidores, então mantem a fé no Criador.
-Tá bom, eu tenho mesmo fé em você, mas não espalha... afetaria o nosso equilíbrio de "bem e mal", sabe...
-Eu sei que não é verdade, mas como você mesmo não querendo, me ajudou, vou manter em segredo.
-É, valeu. Agora já está melhor?
-Sim, acho que seria uma boa idéia aquela caminhada que você falou. Você me mostraria algumas coisas ali embaixo, eu não entendo essas coisas modernas, no meu tempo a evolução ainda era o metal.
-Ok, eu te mostro. Mas você paga o café.
-Mas quem ganha dinheiro é você. Aqui as pessoas entram de graça. Pelo comportamento.
-Tá bom, eu pago. Mas vamos assumir outras formas, imagina depois se nos veem juntos de novo, aí é outro diluvio.
-O diluvio não foi por isso, você sabe. E mesmo que você tenha nos deixado, você ainda consegue chegar até a mim... pessoalmente.
-É porque somos entidades, não uso crachá.
-Suas desculpas foram melhores Lucio.
-Já te disse que o nome agora é... ahh deixa pra lá, Lucio tá bom. Você vai descer assim com essa roupa?
-Você sabe que não ligo para coisas assim.
-Tudo bem, então vamos. te apresento outra invenção da humanidade chamada vídeo game.
-Ahhh Lucio, meu anjo desertor, mesmo você tendo criado o inferno, ainda se porta como anjo quando vem ao Paraíso. E é muito bom ver que mesmo você que renegou tudo crê na humanidade, assim como eu eu, um dia as coisas serão diferentes, mas sempre vamos precisar desse equilibrio e sim, justamente você é uma das pessoas que mais tem fé em mim. Obrigado.
-Ahh eu... deixa pra lá, é bom ver que o Senhor voltou.




Não veja este texto como religioso, ou pense que quero convencer alguém sobre a existência de Deus e o Diabo. Não. É só um diálogo, inicialmente entre amigos baseado em cima do desenho chamado "God, Devil and Bob" e das músicas "Deus e o Diabo - Titãs" e "One of Us - Joan Osborne". Não tive por base a infinita luta de trevas contra luzes, mas uma visão de que são apenas duas pessoas cordiais que defendem seus mundos e a existencia do nosso. Cada um de nós tem sua própria fé e é livre para crer no que quiser, ter a religião que quiser. Todos temos nossas próprias crenças.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

7 filmes que me fizeram ter pesadelos


AVISO:
Esta lista (inútil) é sobre filmes que me fizeram ter pesadelos e não necessariamente sobre filmes de terror. Aviso logo que Jason, Freddy Krueger e o velho decrépito de Jogos Mortais não habitam este post (muito embora habitem os pesadelos de meio mundo).

E dito isso comecemos logo a bagaça da lista

A História Sem Fim
Dizem que a primeira impressão é a que fica. Eu sou a prova de que nem sempre é assim.

Hoje eu sou viciada em filmes, mas a primeira vez que meus pais me levaram para ver um filme e eu vi A História Sem Fim se desenrolar na tela, eu abri o berreiro e não teve o que me convencesse a calar a boca.

O trauma de filme não resistiu no meu cérebro, já o trauma de A História Sem Fim... Só de olhar pra foto deste dragão que mais parece um poodle escovado gigante já me dá agonia.



Fogo no Céu
Hoje em dia se assistisse esse filme eu ia passar as quase duas horas dele falando besteira, mas na época eu tinha no máximo uns 10 anos de idade, então a história do lenhador que é levado por um jato de luz, sequestrado, examinado e sei lá mais o que “ado” por ETs me deixou bem impressionada.
Além dissos reza a lenda que o filme é baseado em história real. E todo mundo sabe que pesadelos com ETs são os mais ruins de pior.


Aqui o bagulho começa a ficar sério.
O filme canadense conta a história de Yannick Bérubé, estudante de cinema (tinha que ser) que ao tentar filmar as ruas de seu novo bairro e andar de bicicleta ao mesmo tempo acaba se estabocando no chão. Todo estropiado, o ciclegrafista (mistura de cinegrafista com ciclista) vai pedir ajuda justo na casa de um taxista que pensa que está fazendo justiça matando aqueles que ele julga nocivos à sociedade e ao bom funcionamento do mundo.
O que assusta é que o vilão da história é um cara normal, pai de família e com cara de tonto. Em vez de corpos multilados ou serial killer pulando do nada, o terror aqui é psicológico.
Como Yannick acaba vendo mais do que devia, Jacques Beaulieu (o taxista com cara de tiozão) o mantém preso em sua casa e todas as noites o desafia para uma partida de xadrez, deixando cada vez mais claro que Yannick pode até fugir mas jamais irá vencê-lo.

A cereja do bolo é uma partida de xadrez onde as peças são corpos embalsamados. É pra fazer ter pesadelos e revisar o estômago (não necessariamente nesta ordem).



A Chave Mestra
Colocam aquela loirinha que só faz comédia romântica pra fazer filme de suspense e o resultado só podia ser pesadelo mesmo.
E prova de que todo protagonista de filme de terror é um azarão é que, entre tanta gente precisando de enfermeira particular em New Orleans, a personagem da Kate Hudson vai arrumar emprego justo com um casal de voodoozeiros.
Mais uma vez, não foi preciso sangue jorrando pra me impressionar. A grande sacada em A Chave Mestra é que só se você acreditar que o mal existe é que o mal pode te assombrar.
Eu não acredito em voodoo, no mal e nem que a Kate Hudson ia aceitar um empreguinho chumbrega de enfermeira particular para um casal estranho, mas depois de assistir o filme eu tive um belo dum pesadelo em que eu não conseguia mexer meu braço porque alguém (!?) estava controlando meus movimentos (!?!?!).


O Orfanato
Já que o tema desta lista é pesadelos, as crianças não poderiam ficar de fora (já que criança é um treco bem assustador). E se o filme é falado em espanhol aí que a coisa fica pior ainda.
Todo mundo já assistiu O Orfanato então nem vou ficar falando muito sobre a história.
O destaque fica para a cena em que a protagonista brinca de esconde-esconde com os fantasmas dos antigos internos do orfanato. Cada vez que ela vira as crianças se aproximam, mas quando ela olha elas permanecem parada. Essa cena me deu tanta agonia que eu desembestei a falar, o pessoal que estava comigo começou berrar me mandando calar a boca, e eu continuei falando e falando e o povo berrando. Uma baixaria. E um pesadelo na noite seguinte.

A Espinha do Diabo
Outro filme em espanhol com crianças, que se passa em um orfanato e é do Guillermo de Toro.
No meio da Guerra Civil Espanhola, o menino é largado num orfanato caindo aos pedaços e assustador, que é dirigido por uma aleijada e onde as crianças o recebem com hostilidade e violência. Como se não basta tudo isso, o menino (que tem uma sorte do caramba) é visitado por um fantasma de um dos internos do orfanato (tá certo falar “internos do orfanato”?) que foi brutalmente assassinado na instituição e implora por alívio para o seu tormento. Depois de um tempo o fantasma descobre que não quer alívio, quer vingança e ainda por cima fica alardeando sobre uma tragédia iminente.
A cena em que o moleque tenta pular uma janela e vira o pé fez meu estômago parar na nuca e minhas canelas gelarem.
Pesadelo na certa.

Super Xuxa Contra o Baixo Astral
Imagina A História sem Fim depois do ácido e você tem Super Xuxa Contra o Baixo Astral.
A mulher conversa, canta e dança com uma lagarta chamada Xixa. Precisa falar mais alguma coisa?

Mais do que pesadelos, esta porra causou problemas mentais em uma geração inteira.

E acho que para falar, cantar e fazer coreografia junto com uma lagarta só fazendo uso de drogas mesmo.
Mas a moral do filme é bonita: a lagarta Xixa vira borboleta e a Xuxa vence o baixo astral sem precisar tomar Valium, Prozac, Zolof ou qualquer outro medicamento.



E depois dessa tenhEmos todos ótimos sonhos.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

É muito otaku pra pouca pinga


AVISO:
Este post ou mesmo este blog NÃO é contra otakus, kpoppers, cultura japonesa, 
J-rock, animes, sushi, sake, sashimi, gordinhos simpáticos e minos de chuquinha em boy bands coreanas, gente fantasiada de urubu, plumas, paetês, gordas trajando meia-calça arrastão e/ou ornitorrinco.

AVISO 2:
Se você não dispõe de senso de humor, este post é altamente desaconselhável.

AVISO 3:
Aliás, se você não dispõe de senso de humor é recomendável procurar ajuda psiquiátrica e/ou espiritual.

E dito isso eu estou habilitada a dizer as barbaridades que eu bem entender


A coisa é assim: uma dúzia de fulanos invade a reitoria da USP e todo mundo resolve ter uma opinião sobre o caso, mas quando uma legião de otakus ensandecidos ocupa uma universidade inteira a imprensa não fala nada.
Uma puta falta de sacanagem isso.

Como eu estive lá e agora carrego na minha mochila o botton “eu sobrevivi à Anime Dreams 2012”, resolvi fazer o relado da minha fabulosa aventura no magnífico hospício temporário chamado Anime Dreams.



Se você me conhece sabe que eu não sou a maior fã de animes, mangas e afins, mas essa foi a terceira vez que eu fui parar num evento deste naipe. Desta vez a culpada foi minha prima Laura (eu fui por livre e espontânea vontade, mas para manter minha reputação vou dizer que ela me arrastou até lá).

Já na entrada da bodega fomos surpreendidas pelo primeiro sinal de que insanidade e falta de senso habitava aquele lugar. Logo depois de colocar a pulseira (porque diferentemente dos fãs do Restart, yes, nós temos pulseirinha) uma voz esganiçada começou a chamar “mocinha, mocinha”. Como está na nossa programação genética ignorar qualquer chamado estridente, eu e minha prima seguimos andando sem dar grande atenção à voz irritante. Mas não demorou muito e o dono (isso mesmo, com O no final) cutucou minha prima e perguntou se o celular dela tinha crédito (porque provavelmente ele era fiscal de crédito de celulares), minha prima respondeu que não e o fiscal seguiu perguntando para todo mundo que estava em volta se as pessoas dispunham de créditos em seus respectivos celulares.

Impressionadas com a esganices da voz do fiscal de crédito de celulares, subimos as escadas da Universidade Cruzeiro do Sul e adentramos no mundo mágico onde é permitido a todos soltar a franga e vestir uma fantasia fora do carnaval.

Milhares de perucas, roupas mais extravagantes que o guarda-roupa da Lady Gaga, dezenas de uniformes de colegiais japoneses; espadas, facas e outras armas que não matam nada a não ser a sua fé na humanidade, um bando de gente carente ofertando abraços grátis, marmanjo vestido de anjo negro (AKA urubu) e muitas gordas de shorts jeans e meia-calça arrastão.

E aqui vale uma digressão: de uma gorda para outra, não use shorts jeans com meia arrastão. Pouquíssimas pessoas ficam bem com meia arrastão, um grupo mais seleto do que o dos ganhadores da loteria. E quando uma gorda usa shorts jeans com meia arrastão cada uma de suas pernas parece um golfinho que ficou preso numa rede de pesca, e dá mó sensação ruim isso: é triste, é trágico e dá vontade acionar o Greenpeace. Então, de uma gorda para outra, eu digo não use shorts jeans com meia arrastão.

Feito o desabafo, voltemos para a minha fabulosa aventura.

O objetivo da minha prima era ir nas salas de K-pop e eu estava desorientada e sem saber para onde ir, procurando as salas de K-pop acabamos na sala de Crepúsculo (!?) – que na minha opinião era a melhor sala de todas pelo simples motivo de que estava vazia e portanto não estava calor lá dentro nem fedendo a suor abafado dentro de fantasia, e também porque a minha camiseta do Edward Mão de Tesouras fez sucesso lá (embora o tema ali fosse outro Edward) e o pessoal ficou falando de filme do Jonnhy Depp (que é algo muito mais interessante que anime, na minha opinião).
Depois eu vim saber que a sala estava vazia porque os otakus praticam bulling contra Crepúsculo, mas isso nem é novidade porque todo mundo pratica bulling contra Crepúsculo, o povo acha que praticando bulling contra Crepúsculo eles vão disfarçar o fato de que lerem a tralha da saga toda.
Pessoas, entendam o seguinte: não é vergonha ter lido Crepúsculo. Todo mundo leu os livros, viu os filmes e quis que a Bella morresse. Vergonha não é ter lido Crepúsculo, vergonha é achar o máximo o fato do Edward brilha no sol quando na verdade o David Bowie já tinha brilhado décadas antes, ou seja, isso não é nada original.

Mas deixando todo o glitter de lado, e voltemos à minha saga. 

Minha prima finalmente adentrou a sala de K-pop e eu fiquei ali vendo o povo todo despirocando nas coreografias e berrando pelos bias.

Aliás, a Anime Dreams serviu para que eu aprendesse o que significa “bias”.
Na sala do fã clube do Super Junior – que é uma banda de k-pop com muitos bias (imagina assim: pega a versão coreana de Backstreet Boys, mais a versão coreana de ‘N Sync e a versão coreana do Five e bota tudo numa mesma e única banda) – a menina me perguntou se eu não queria participar da promoção pra ganhar não sei o que, bastava eu preencher uma ficha com o meu nome, minha idade e o nome do meu bia favorito. Eu perguntei para ela “bis-quem?” e ela então me explicou que bias sãos os caras da banda. E eu tive que me segurar para não perguntar se tinha algum Howie D no Super Junior.
Tudo isso para no final das contas nós não ganharmos nada a não ser dor nos pés de ficar andando de um lado para o outro.

E enquanto nós andávamos de um lado para o outro a Laura e a amiga dela ficavam parando qualquer um trajando uma fantasia pedindo para tirar foto, e para todos eles eu disse que eles deviam cobrar um real de cada um que pedisse para tirar foto com eles. Sério, meu. Esses cosplayers não tem noção da fortuna que poderiam angariam a cada evento de anime. Eu mesma estou pensando em agenciar cosplayers, oferecer serviço de acessória de imprensa e segurança para evitar que quem não pagou a taxa tire foto.

Depois de muita foto e muito andar, chegamos à parte das banquinhas que vendem as tralhas otakus, uma espécie de mini 25 de março dos otakus. Minha prima gastou ali quase uma hora apalpando e olhando bottons no melhor estilo dona de casa escolhendo furtas e verduras no setor hortifrutigranjeiro do supermercado, e saiu de lá com bottons suficientes para pendurar até na meia (pra não dizer outra coisa) e uma daquelas plaquinhas que você escreve com pincel atômico.

Só pra não dizer que eu só falei mal de tudo, tá aí uma coisa digna de admiração: plaquinha de evento de anime. Mó treco de gênio, sem brincadeira.

Esse povo só fica aí se matando pra subir tag idiota porque ainda desconhece o poder da plaquinha de evento de anime. A plaquinha de evento de anime é mil vezes mais eficiente que tag idiotas habitando o trending topics, porque a tag no trending topics fica ali esperando para ser vista enquanto que com a plaquinha você esfrega a sua mensagem na fuça das pessoas (quase que literalmente).

Tudo bem que minha prima não me deixou escrever nada do que eu queria na plaquinha, só depois de muito custo eu consegui convencê-la a escrever “respeite a minha ressaca” e depois “é muita pinga pra pouco otaku” (o que é a mais pura verdade já que não encontrei ali nenhum lugar pra comprar um dise de álcool pra tornar tudo mais tragável. E fica aqui a minha indignação: como que uma festa numa faculdade não tem álcool? Muita falta de salubridade isso).

E quando já estávamos fora da Universidade Cruzeiro do Sul e eu achei que tinha visto e sobrevivido a tudo, eis que me surge a cereja do bolo do dia. Enquanto esperávamos nossa carona um bando de pirralhos se aproximou e um deles, o moleque tinha no máximo uns 12 anos, olhou pra gente e soltou “muito linda as duas”. Quer dizer, não basta sobreviver à concentração de histeria otaku, você também tem que levar cantada de pirralho pra pagar todos os seus pecados. E pode acreditar que depois de sábado eu estou com crédito de pecado.

Mas falando sério agora, se você chegou até o final deste texto acho que eu devo no mínimo esclarecer uma coisa: apesar das piadas eu não vejo nada de ruim em otakus e cosplayers ou no pessoal que curte k-pop e suas coreografias. A vida é muito curta pra gente não fazer aquilo que gosta. Eu gosto de fazer piada (inclusive da minha própria pessoa) e foi isso que eu fiz neste texto.

Moral da história: se a vida te der muppys, acrescente vodka e seja feliz (ou pelo menos desfrute da temporária ilusão de ser).

Até o próximo post

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

13 videoclipes inspirados em filmes


AVISO:

(Só para o post de hoje não ficar sem AVISO) O número 13 no título do post não tem qualquer significado além de dizer que abaixo segue uma lista com 13 clipes inspirados em filmes.



Dr. Fantástico + Muse
Se você prestar atenção na letra de Time Is Running Out vai perceber que ela serve tanto como uma canção de amor (um amor meio doente e viciado, mas tudo bem) como pode ser interpretada como uma música sobre um holocausto nuclear.
Holocausto nuclear (ou a tentativa de evitar um – ênfase para o “tentativa”) também é o tema de Dr. Fantástico, filme de 1964 e um dos melhores trabalhos do Stanley Kubrick.
Reza a lenta que o diretor do clipe chegou para a banda com a idéia de misturar o filme do Kubrick com mulher seminuas dançando. E o resultado foi esse aí.



Corra, Lola corra + Yellowcard
Se não fosse pelas fileiras de freiras (fala rápido três vezes “pelas fileiras de freiras”) que atrapalham a fuga de Ryan Key eu nem teria notado que o clipe de Ocean Avenue é inspirado em Corra, Lola Corra.
No filme alemão de 1998, Lola recebe um telefonema de seu namorado que acabou de perder uma pequena fortuna que transportava numa espécie de teste para provar que um bando de criminosos podia confiar nele, desesperado ele conta a ela que tem 20 minutos para recuperar o dinheiro e é aí que a correria começa. Já no clipe, o vocalista corre, corre e corre para recuperar um maleta e fugir da própria banda.
Corre, Ryan corre.



O Iluminado + 30 Seconds to Mars
Outro filme do Kubrick que “virou” clipe.
De 1980, O Iluminado conta a história de um cara contratado para ser vigia de um hotel durante o inverno. Ele arrasta a família para o meio do nada e fica lá isolado tomando conta do hotel, com o passar do tempo o isolamento faz com que ele desenvolva um desejo assassino de exterminar a própria família e seu filho desenvolve uma carie (um amiguinho) que fala dentro de sua boca.
Para The Kill ser um remake de O Iluminado só faltou o Jared Leto descendo o machado na porta do banheiro, colocando a cara no rombo aberto a machadadas e imitando a careta do Jack Nicholson.
  

Moulin Rouge + The Killers
O filme de Baz Luhrmann que levou quase dois anos para ser filme e que custou a Nicole Kidman uma costela quebrada e o rompimento do menisco foi o primeiro musical em 23 anos a ser indicado para o Oscar de melhor filme (e é um dos poucos musicais que eu tolero).
No clipe de Mr. Brightside o The Killers fizeram sua versão de Moulin Rouge – O Amor em Vermelho sem a costela quebrada e o menisco rompido.





Brilho Eterno de uma Mente sem lembranças + Stars
Eu não conheço ninguém que não tenha gostado de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, então acho meio desnecessário ficar falando muito sobre o filme.
E pra falar a verdade, eu nem conhecia a música Your ex-Lover is Dead, acabei esbarrando nela quando fui pesquisar para o post. No vídeo a banda Stars revive uma das cenas de Joel e Clementine e a letra de Your ex-Lover is Dead parece contar a história de alguém que teve suas lembranças removidas como no tratamento que aparece no filme.




8 ½ + REM
De 1963, Oito e Meio de Federico Fellini começa com um sonho do personagem principal, o cineasta Guido Anselmi. Neste sonho Guido está preso em um engarrafamento, um carro quase colado no outro, de repente o carro começa a se encher de fumaça e Guido tem que sair do carro pela janela, com todas as outras pessoas presas no engarrafamento assistindo sua luta para não se asfixiar.
O REM pegou este enigmático sonho do Guido (ou seria do Fellini?) e transformou no clipe de Everybody Hurts.



Juventude Transviada + Paula Abdul
Antes da Paula Abdul virar jurada do American Idol e antes do Keanu Reeves vestir o sobretudo em Matrix ou usar gatos como passaporte para o inferno em Constantine, alguém decidiu que a música “Rush, Rush” tinha tudo a ver com o filme Juventude Transviada, de 1955 e com o James Dean no papel principal.
O resultado foi essa joça aí.





Um Corpo Que Cai + Faith No More
Imagine uma versão musical e um pouco mais bem humorada do filme de Hitchcock e você tem o clipe de Last Cup of Sorrow.






Os Homens Preferem as Loiras + Madonna
Sabe aquela música "Diamons Are A Girl’s Best Friend" que Nicole Kidman canta em Moulin Rouge? Marilyn Monroe cantou na comédia Os Homens Preferem as Loiras, de 1953. E mais do que servir de inspiração a cena é quase reproduzida com exatidão no clipe de Material Girl da Madonna.






A Fantástica Fábrica de Chocolate + Marilyn Manson
Mudando de Marilyn (não pude evitar o trocadilho idiota).
Marilyn Manson não habita os sonhos das crianças como a Fantástica Fábrica de Chocolate habita os sonhos dos chocólatras mirins desde 1971 (na verdade ele está mais propenso a habitar pesadelos), mas no clipe de Dope Hat ele vestiu o chapéu de Willy Wonka e saiu distribuindo doces para as criancinhas (do jeito dele, é claro).






Laranja Mecânica + Blur
Kubrick de novo.
Seja no visual ou na atitude, Alex Delarge já inspirou muita gente. 
Com os caras do Blur não foi diferente. No clipe de The Universal eles resolveram aderir ao visual dos drugues e foram à leiteria tomar um moloko.






Viagem à Lua + The Smashing Pumpkins
Para buscar inspiração para o clipe de Tonight Tonight  o povo do Smashing Pumpkins cavou fundo até topar com o curta de 1902 do Georges Méliès Viagem à Lua.
No curta (e no clipe) uma expedição parte rumo a Lua e encontra por lá seres não muito amistosos.




Yellow Submarine + Kesha
Provavelmente se um beatlemaniaco ler isso aqui vai torcer o nariz diante desta associação.
Bom, eu não tenho nada a ver com isso. Foi a própria Kesha que em uma entrevista disse que a parte de animação do clipe Your Love is My Drug foi inspirada no filme de 1968.






Fonte: