Há um momento em que se questiona a própria existência humana. Nem mesmo a teoria da evolução é mais capaz de explicar até onde podemos realmente chegar, se é que realmente chegaremos, nem ao menos estaremos lá para conferir essa evolução das espécies. Mas e se nada disso é real?
E se você que está lendo, na realidade nunca existiu, nem eu que escrevo estou realmente aqui... pode ser que tudo isso seja apenas imaginário, então nunca estivemos em qualquer lugar que acreditamos ter ido. A mente é poderosa, Nos envolve em tramas, nos leva a duvidar, nos faz acreditar. Mas você pode ter certeza do que realmente é real? E se ao abrir os olhos, apenas uma vaga lembrança de alguém escrevendo, outras pessoas que estavam lendo, pensando se realmente aconteceu, se aquilo tudo não passou de imaginação.
Podemos estar mais próximos do que realmente queremos. Assim como podemos, talvez nem existir nessa ou em qualquer outra realidade ou plano astral. O quanto o toque, o sabor pode ser uma sensação verdadeira, ou apenas o inconsciente imaginário dizendo que é isso que deve sentir? Ao fechar os olhos, você ouve a sua voz? Lembra-se com clareza do minuto anterior? Pode ter a certeza que aquele minuto que passou, existiu mesmo? Nunca teve tanta certeza de estar em duvida. O real que um dia imaginou, pode estar além. Além do momento que não se pode ver.
Toda essa conversa nunca existiu. Podem afirmar. Podem negar, ou questionar. Podem ir atrás das memórias frustradas de uma madrugada que não se tem certeza se o dia que passou foi real. Pode não saber se o que vai vir será mesmo verdadeiro. Mas afinal, quem é que quer saber o décimo passo, quando nem ao menos o primeiro é uma certeza? Entregue-se às suas duvidas. Questione a verdade, descubra onde ir de olhos vendados. A imaginação, pode ser tudo o que se tem. Você pode nunca ter existido e apenas imaginou que viveu, na imaginação de outra pessoa que também não tem certeza se um dia viveu de verdade, ou apenas dentro dos pensamentos de quem pensa no roteiro das vidas humanas.
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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
NANDEMONAI
Num fim de tarde do primeiro sábado de 2012, cheguei ao metrô Liberdade em São Paulo para encontrar a banda Nandemonai, para poder apresentar à vocês uma banda brasileira, amante do J-Rock.
Para falar como foi tudo isso, vamos começar pela
descoberta. Ainda no começo do ano, eu olhava o facebook enquanto jogava
qualquer coisa por lá, eis que uma amiga posta um vídeo da banda que ela canta,
quando vi o nome da banda ("Nandemonai", traduzindo do japonês para o
português, seria "qualquer coisa"), fui ver do que se tratava, assisti e
fiquei impressionado, entrei em contato na hora com ela para saber da
possibilidade de entrevistar a banda para apresentar aqui o trabalho de
fãs de J-Rock que não apenas gostam do estilo, mas também aceitaram o desafio
de tocar e introduzir no mercado brasileiro.
A banda foi formada ainda em 2010, passaram por várias
formações, até se firmar com os membros atuais, Leo (guitarra base e fundador),
Guilherme (guitarra solo), Rafael (baixo), Patricia Akemi (vocal), Gustavo
(vocal) e Giovanni (bateria e fundador). Todos acabaram se conhecendo pelo
orkut, onde conversavam descobriram todas as afinidades em comum. O gosto por
animes, mangás e as bandas japonesas. Claro que cada membro da banda tem lá
suas próprias preferências, mas em comum, X-Japan. E fiquei curioso em saber
por que todos gostam tanto da banda e disseram q não apenas pela sonoridade,
criatividade, mas pela importância deles no cenário japonês. O X-Japan é uma
das bandas inspiradoras do Nandemonai.
Inicialmente cada um tinha um projeto paralelo, mas após um
tempo resolveram se dedicar totalmente à Nandemonai. Todos trouxeram suas
experiências anteriores para dentro, mas visando o mesmo sonho. Com um
repertório bem diversificado tocam desde Nightmare, X-Japan, Dir En Grey, até
mesmo sons mais tendentes ao J-Pop. A banda tem muitos gostos em comum quando
falam sobre a cultura japonesa. Desde os mais famosos animes até os menos
conhecidos, cada um demonstra um interesse, mas nem por isso divergem nas
escolhas das músicas, a escolha do que vai ser tocado/ensaiado é sempre de
maneira democrática e justa, todos dão sua opinião, sem "um líder",
mas com todos podendo opinar. Uma democracia que funciona, existe muita amizade
e acima de tudo respeito entre os membros da banda, que para este ano querem
voltar a fazer apresentações, muito bom para quem gosta do estilo, assim
podemos ouvir várias músicas de J-Rock, tocadas por fãs, assim como você que
está lendo e eu que estou escrevendo.
Durante o papo com a banda, eles contaram desde o inicio das
antigas formações que não deram certo até chegar nessa atual, onde todos já se
sentem mais a vontade para opinar e após muitos ensaios eles já estão prontos
para mostrar seu repertorio ao publico e assim levar um pouco do mundo deles
para os palcos. É contagiante e muito animador conversar com eles, poder ver
que sonhos podem e devem sim se realizar, porque de um encontro de pessoas
distintas q em comum tinham o gosto pela cultura oriental, hoje são uma banda,
muito bem preparada e prestes a ganhar seu espaço em shows, sejam de pequeno ou
grande porte, é realmente muito bom conhecer uma banda assim.
E finalizando aqui, até porque o papo foi bem além do
J-Rock, animes, mangás, acabamos falando até sobre jogos. Mas quem tiver a chance
de ouvir, ouça. Vale à pena. Porque são exatamente como nós, mas acreditaram
num projeto de mostrar nos palcos o que algumas bandas só mostram em alguns
eventos, mas a disposição da Nandemonai é ir muito além disso. E gostaria de
agradecer a toda a banda pela entrevista, em especial à Patricia Akemi que
mostrou o seu trabalho e tornou tudo isso possível, muito obrigado! E vocês que
estão lendo, ouçam as músicas deles!! E fiquem atentos aos shows da banda, o primeiro aconteceu no último sábado (28/07), e, esperamos que muitos outros shows venham por aí!!!
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Os Portões do Palácio
O Rei se levantou do trono para polir sua coroa. Ela é feita dos mais limpos papéis amassados, reluzente e cravejada pelos enfeites que pôde encontrar no caminho. Todo um reino a controlar, tão pouco tempo se tem, as horas passam tão veloz quanto os duelos entre cavaleiros. Ah, o que seria deste reino sem este Rei? Seus súditos apressam-se em poder ouvi-lo, a multidão espera por um breve momento em que possa vê-lo, mesmo que por meros segundos.Do alto da mais alta torre, ele contempla todo seu império conquistado com muito suor. É digno de vastos pensamentos que parecem aumentar ainda mais todo o território já conquistado. Ele sorri. Seu reino é justo, não há guerra, ou fome. Trata as pessoas por igual, sejam simples aldeões, sejam bispos e condes. Há muito motivos para se orgulhar do que tem, mas há pouco tempo para se apreciar tanta beleza.
A masmorra é a mais alta torre do palácio, onde o Rei está preso. Ele pregou a igualdade, foi contrariado pelos nobres e decidido que seria trancafiado e seu parente mais próximo, um ambicioso conde, ficaria no poder, elevando as taxas e elitizando ainda mais o estilo de vida da nobreza. Ah como é injusto pensar que este mundo é que é o mundo real e que um Rei que poderia mudar o mundo, agora vive preso, drogado em seus devaneios, acreditando que tudo é como sempre quis que fosse.
O Rei não tem como fugir. As paredes são grossas. Barras de ferro na janela. Foi dado como morto. Poucos sabem quem vive na masmorra, ainda menos pessoas tem acesso a ela. Mas o rei vive feliz, ele sorri, suas gargalhadas são contagiantes. Ele ainda vive no seu mundo de igualdade, não percebe que está preso e só há muitos anos. Não percebe que perdeu sua razão, mas vê seu reino, ainda limpa sua coroa feita dos restos que encontrou naquela prisão, ainda encontra forças para sonhar e viver em seu mundo, em seu infinito particular, onde o cetro e o manto sagrado são de veludo e não de restos de roupas rasgados. Ainda é o mesmo Rei que sonhou com a igualdade, mas que o poder da nobreza o impediu de levar adiante um sonho onde a nobreza, clero e plebeus fossem realmente iguais. Pobre Rei. Viveu uma utopia, adormeceu e acordou encarcerado, até o fim de seus dias, e, nunca mais ouvi-se falar da igualdade entre as três classes. Pobre Rei que pereceu séculos atrás. Pobre de nós que nunca pudemos escutá-lo.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Equilibrio
- Já estamos sentados aqui faz muito tempo e você ainda se remoendo de culpa??? Fala sério, vai...
-Isso é...
-Vai, vamos, levanta daí e vamos dar uma volta, não custa nada. E você ainda pode se divertir.
-Acho que as coisas seriam diferentes, eu poderia ter agido de outra forma...
-É, poderia, mas não o fez, vai continuar sentado aí olhando para baixo até quando?
-Não sei, até eu conseguir entender, quem sabe?
-Papo furado, você não percebeu que seu tempo passou, você foi esquecido, você é a segunda opção.
-Talvez. E você também não se sente assim?
-Deveria?
-Não sei, não sei mais o que responder, antes eu achava que sabia as respostas...
-É, o tempo passou, você não é mais o mesmo, olha a sua volta, tudo mudou e você ainda fica aí choramingando, você já teve atitude, lembra?
-Sabe, é estranho ouvir algo assim, ainda mais de você...
-Que bom, agora vai querer ser superior, pelo menos sinto alguma reação.
-É... quem sabe...
-Começou de novo? Olha, já estamos aqui tem um tempo e você começou a desabafar só agora, nem sei mais o que é tempo de tanto tédio que sinto aqui.
-Você sempre soube que procuro calmaria e ainda assim me procurou. E ainda reclama?
-Sim, reclamo, é meu dever, vamos lá, levanta daí o mundo não vai para de girar, evoluir... e você pode fazer parte disso.
-Não sei se ainda vale a pena...
-É, então fica aí parado mesmo, fica olhando pra baixo, que legal, né... deve ser muita adrenalina...
-Você tem que ser sempre tão sarcástico?
-Você acharia que eu mudei se eu não fosse...-Isso é...
-Vai, vamos, levanta daí e vamos dar uma volta, não custa nada. E você ainda pode se divertir.
-É... pode ser depois?
-Não, não pode, vamos agora.
-Então me diz uma coisa...
-Se você vier com a mesma ladainha eu vou embora.
-Mas é você quem vem me procurar, sempre.
-Ok, vamos deixar os detalhes de lado, pergunte.
-Por que? Eu preciso saber o por que...
-Eu sabia, nem sei há quanto tempo você tá nessa... me recuso a falar disso de novo.
-Mas você nunca quer responder, vamos, diga.
-Hum... tá... você realmente vai se levantar se eu disser?
-Acredito que sim, se você me convencer.
-Droga. Por isso que demoro pra te procurar, tá vendo, é sempre a mesma coisa, eu vou embora.
-Vai, faça como todo mundo já fez.
-Certo, você quer respostas? Quem diria, que justamente eu iria te responder isso, chega a ser cômico se não fosse trágico.
-Ainda estou esperando.
-A culpa é sua sim.
-Como?
-Ah, você queria o que? Depois de tudo que você fez, ainda tem gente que duvida de você, ok, faz muito tempo, talvez você ache que precisa provar alguma coisa de novo, sabe o que eu acho? Precisa de nada disso não, você é quem tem que se levantar e ver que tudo tá diferente desde aquela época, não são mais as mesmas pessoas, existem outras preocupações hoje, lembra que eu te falei de evoluir, pois bem, foi o que aconteceu. Só que você parou.
-Então é culpa minha, realmente não precisam de mim.
-Não disse isso... ahh dane-se, vou me arrepender disso depois, mas...
-Hum...
-Você teve forças para fazer tudo o que fez, você mostrou todos os caminhos, foi embora quando tinham aprendido tudo, você fez as escolhas assim como eu fiz.
-É, você foi embora, até você...
-Sim, mas eu tinha outros motivos.
-Eu sei. E agradeço.
-Olha aqui, vamos deixar de sentimentalismo, a gente tá aqui sentado olhando para a Terra, vemos como o mundo mudou, mas vai por mim, o mundo ainda acredita em você, ainda tem fé em você, existem ateus, é claro, mas ninguém pode obrigar ninguém a fazer o que não quer, ou acreditar em algo que tem duvidas, você me ensinou isso.
-Isso sim foi impressionante.
-Eu sei que você se sente desconfortável porque o mundo que você deixou, mudou e hoje em dia as coisas são totalmente diferentes, olha ali embaixo, teve muita revolução, teve evolução do ser humano, eles são diferentes, mas ainda são a sua própria imagem.
-Assim como você.
-Eu já disse, só escolhi outro caminho porque não acreditava em tudo e acho ainda isso aqui muito monótono.
-Você nunca gostou do Paraíso não é Lucio?
-Já passaram milhares de anos, já disse que é Lucifer.
-Eu sei, mas Lucio é um nome mais bonito.
-Ok, Jesus, agora você já está sorrindo e me fez relembrar da época que fiz parte disso, preciso ir embora antes que você me dê uma aureola de novo.
-Não, não faria isso, você, apesar de tudo tem razão, acima de tudo eu dei livre arbítrio para a humanidade, eles escolhem no que acreditar. E me sinto melhor mesmo, parece que ouço preces ainda.
-Ah é?
-Parece que alguém anda deixando a maldade de lado.
-Não começa.
-Não foi você?
-Você tem milhares de emissários lá embaixo, porque justo eu iria devolver a fé deles em você?
-Porque você, nunca perdeu a fé em mim, do contrário, não conversaríamos mais. Mas você sempre vem aqui e tenta me fazer acreditar na humanidade, me fazer ver que a fé em mim ainda existe, porque alguém que se diz tão mal faria isso?
-Não, não vou responder.
-Não precisa, eu sei a resposta, posso sentir em você. Apesar de tudo, você começou aqui, você não tem seguidores, então mantem a fé no Criador.
-Tá bom, eu tenho mesmo fé em você, mas não espalha... afetaria o nosso equilíbrio de "bem e mal", sabe...
-Eu sei que não é verdade, mas como você mesmo não querendo, me ajudou, vou manter em segredo.
-É, valeu. Agora já está melhor?
-Sim, acho que seria uma boa idéia aquela caminhada que você falou. Você me mostraria algumas coisas ali embaixo, eu não entendo essas coisas modernas, no meu tempo a evolução ainda era o metal.
-Ok, eu te mostro. Mas você paga o café.
-Mas quem ganha dinheiro é você. Aqui as pessoas entram de graça. Pelo comportamento.
-Tá bom, eu pago. Mas vamos assumir outras formas, imagina depois se nos veem juntos de novo, aí é outro diluvio.
-O diluvio não foi por isso, você sabe. E mesmo que você tenha nos deixado, você ainda consegue chegar até a mim... pessoalmente.
-É porque somos entidades, não uso crachá.
-Suas desculpas foram melhores Lucio.
-Já te disse que o nome agora é... ahh deixa pra lá, Lucio tá bom. Você vai descer assim com essa roupa?
-Você sabe que não ligo para coisas assim.
-Tudo bem, então vamos. Aí te apresento outra invenção da humanidade chamada vídeo game.
-Ahhh Lucio, meu anjo desertor, mesmo você tendo criado o inferno, ainda se porta como anjo quando vem ao Paraíso. E é muito bom ver que mesmo você que renegou tudo crê na humanidade, assim como eu eu, um dia as coisas serão diferentes, mas sempre vamos precisar desse equilibrio e sim, justamente você é uma das pessoas que mais tem fé em mim. Obrigado.
-Ahh eu... deixa pra lá, é bom ver que o Senhor voltou.
Não veja este texto como religioso, ou pense que quero convencer alguém sobre a existência de Deus e o Diabo. Não. É só um diálogo, inicialmente entre amigos baseado em cima do desenho chamado "God, Devil and Bob" e das músicas "Deus e o Diabo - Titãs" e "One of Us - Joan Osborne". Não tive por base a infinita luta de trevas contra luzes, mas uma visão de que são apenas duas pessoas cordiais que defendem seus mundos e a existencia do nosso. Cada um de nós tem sua própria fé e é livre para crer no que quiser, ter a religião que quiser. Todos temos nossas próprias crenças.
Não veja este texto como religioso, ou pense que quero convencer alguém sobre a existência de Deus e o Diabo. Não. É só um diálogo, inicialmente entre amigos baseado em cima do desenho chamado "God, Devil and Bob" e das músicas "Deus e o Diabo - Titãs" e "One of Us - Joan Osborne". Não tive por base a infinita luta de trevas contra luzes, mas uma visão de que são apenas duas pessoas cordiais que defendem seus mundos e a existencia do nosso. Cada um de nós tem sua própria fé e é livre para crer no que quiser, ter a religião que quiser. Todos temos nossas próprias crenças.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Códigos do Caderno
Lágrimas de poeira escorrem pelo castiçal perdido debaixo da mesa quebrada daquele quarto abandonado. A escadaria coberta pelos véus queimados, distantes dos sonhos que foram guardados para eles, a escada, não tem um fim, mas esta quebrada e não vai a lugar algum. Não tem começo e nem fim.
Ventos castigam as grandes dunas, as montanha começam a ruir, uma a uma, elas caem. A cada grão da ampulheta, um pedaço da montanha cede. O mundo está vazio. Cercado pela solidão de uma população que não se conhece.
Toda a perplexidade inexplicavel da insensatez cede à fé cega dos lenhadores desempregados. A matilha faminta agora sobrevive de frutas. Tudo muda, tudo se perde. Dentro de cada mente.
E nada derruba as ondas naquela praia, elas carregam toda a angustia e esperança daqueles que acreditam em alguma coisa que não saibam o que é, mesmo que talvez não exista. Não vai além do poder da fé. Não vai além do questionamento.
Amargo regresso dos pesadelos que um dia se arrependeram por deixarem os dados selarem seu destino. Em vão. Aquela roda que escapou, os atropelou quando tentaram atravessar a rua fora da faixa. Hoje estão tão debilitados, quanto as mentes que um dia perturbaram.
Mostrou a força ao questionar o poder. Mediu seu poder com as rebeliões. Gavetas foram abertas para contar segredos. Portas foram trancadas. Luzes apagadas. Nada mais é como estava um dia na sua imaginação.
Onde o mundo um dia se perdeu em sua solidão. Onde o mundo um dia não viu o que passou. Onde um dia... o mundo...
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
As Sombras Do Teto
Ele ainda se lembrava... vagamente... do dia que perdeu...Seus pensamentos não iam além de onde podia ver...
Não dava importância ao que era razão... mas isso nunca deu mesmo, não faria sentido prestar atenção nisso justamente agora...
Não deixou ninguém se aproximar... nem ao menos viu quem passou por você...
Não sabia dizer se era angústia, raiva, ou mesmo o que e onde sentia tamanha dor, não queria descobrir, só queria deixar o tempo passar e poder se levantar de novo, então, estendeu as mãos e ficou ali... numa suplica silenciosa, talvez seu orgulho seja grande demais para que aceite ajuda, ou apenas não saiba pedir... e jamais vai admitir seus erros tão banais. Sente-se numa cama de concreto, incomodado por estar ali, mas não muda a situação na qual se encontra. Tudo era tão mais simples antes.
Agora está preso no jardim de lamentações onde costumava ir. Mas ia sempre em segredo, nunca quis que ninguém no mundo soubesse que reclamava de seus próprios defeitos que nunca soube aceitar ou mesmo conciliar com qualquer qualidade que possui. E todos sempre o esperam voltar. Não pode aceitar que o apogeu já foi há algum tempo, nem ao menos pode entender que, o que quer que faça, sempre tem consequencias, boas ou más. Sempre tem. Tudo hoje é tão estranho e dolorido, mesmo as boas memórias o machucam, o derrubam para um penhasco que por anos tentou evitar chegar perto, não há recompensa nesta queda, apenas a solidão.
E ele ainda Espera reconhecer um momento pelo qual possa dizer que vale a pena dar um passo para trás. Talvez ali do lado no meio da multidão, quem sabe? Pode existir algo que reencontre, mas não se lembra. Tudo é tão vago, mas tão cheio, contraditório. Nada é vazio em sua mente perturbada por um passado de erros que não quis admitir. Talvez um futuro nublado seja a melhor opção, porque o que se vê agora não é nada animador. Mas não vai desistir ainda da idéia insensata de que possa se perder de novo... e dar um novo começo para tudo aquilo que nunca chegou a acabar...
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Corrente Canhota
Ele queria acreditar, mesmo não conseguindo, parecia tão real quanto o que realmente não podia ver... horas, às vezes, não fazem o menor sentido, o tempo deixa de ser toda aquela incógnita indiferente do mundo... e tudo o que ele queria era poder estar longe, correr pra perto, é tudo tão confuso que mal sabe o que precisa descobrir a seguir...as opções aparecem como sonhos, sempre deiferentes, sempre confusas, mas nada tão abstrato ou surreal quanto suas próprias duvidas de si mesmo...Ele só precisava estar fora de si para entender o que se passou ao seu redor... às vezes precisa de um pensamento perdido, esquecido, para que tudo de novo se encaixe... mas tudo que um dia lhe pareceu perdido, hoje parece encaixar nos mais estranhos quebra cabeças que já viu. Pensa claramente em como um redemoinho podia cavalgar nas dunas do deserto espalhando a àgua do mar nas nuves de poeira das fábricas abandonadas, essas imagens não explicam nada, mas as peças se encaixam como velhas conhecidas.
Mesmo que às vezes seja só uma luz... pode ser que o interruptor estava mal localizado, mas ele o encontra... sempre... tenta reconhecer as sombras e vultos que passam em sua mente, nada é tão real quanto o único rosto que pode ver com um minímo de lucidez, nada faz sentido dentro de sua imaginação que um dia o declarou uma pessoa comum, hoje, está muito além disso e se sente só em seus próprios devaneios. Mas não seria tão complicado se não fosse tao simples. Não vai atrás de nenhum outro rosto, nada o faz perder o foco, nada vai lhe tirar do caminho que escolheu. Mas tem certeza que nunca mais vai voltar ao ponto de partida. Desistiu das glórias que um dia conquistou por uma chance de não ser mais lembrado, apenas isso.
E é claro, às vezes, toda noção se perde num suspiro. Tudo encontra uma razão na insensatez inexplicável de palavras soltas pelo mundo. Ecoando até chegar onde deveriam. Quando chegam, é que se tornam reais. Palavras cegam quando chegam. Cegam toda a luz. Cegam tudo que se pode deixar livre. Cegam até mesmo qualquer decisão. Mas nem tudo parece tão ruim...
...porque às vezes, basta um sorriso...
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Aquario do Deserto
E por um instante sentiu-se consciente, como há muito tempo não sabia o que era isso, sentiu uma estranha sensação... parecia estar tudo tão distante, parecia até que tudo estava se despedaçando antes mesmo que chegasse perto o suficiente para derrubar...
Sentia-se envolvido pelos prazeres de um mundo que não lembrava nem mesmo o caminho para chegar, mas sabia que toda volta era perplexa e cheia de nevoa... não sabia se iria voltar tão cedo, até porque nem sempre a estadia é tão ruim quanto parece.
Viajou daqui para lá. E de volta novamente. Como sempre, sem perder o rumo.
Os mesmos velhos lugares e ainda reencontra velhos rostos que não via, ou porque evitava, ou porque realmente não encontrava, mas agora há algo novo, diferente, parece um segredo que ainda não pode ser revelado.
E então, sente-se pronto para recomeçar vai se esforçar por algumas coisas. E pelo que disseram, muito do que está para acontecer pode durar para sempre... mas o pra sempre é instavel. Então porque não aproveitar o que já existe. Ao menos enquanto dura...
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Baldes de Areia
O ultimo fogo subirá através daqueles olhos...A casa assombrada caíra sob seus pilares...
Garotos cegos não mentem sentem um medo imortal...
Aquela voz era tão clara através de paredes rachadas...
Aquele grito ainda ecoa sob acordes distorcidos...
Perdido em sua iluão atemporal, cavalga entre marés e desertos...
Não vai chegar a lugar algum além de sua imaginação...
Não são capazes de nos derrubar, não podem!!!
Hoje será o fim do acaso, um confronto do destino.
Espadas reluzentes lutam contra chamas...
Não há vitória. Não existe derrota. Não há fuga.
Há apenas o fim.
Acaba a esperança.
Vendavais carregam a fumaça do fogo na vila...
Tudo que um dia foi perdido, hoje volta.
Está de volta toda a perdição.
Estamos de volta ao recomeço.
E toda a vida se esvai numa goteira para um oceano já seco...
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Um Gole de Café
Às vezes o tempo corre ao nosso lado, mesmo que sem perceber, acabe atrapalhando um pouco, mas tudo bem...
Quando se tem demais, não há o que fazer, quando não se tem... é complicado querer ver além, quando não se sabe o que está procurando...
E algumas pessoas dizem algo que decepciona... outras dizem aquilo que é preciso, só isso... e em alguns lugares passa-se tempo demais sem saber quanto tempo se passou...
Não existe a plenitude, seja do que for, todos já buscaram, mas alguém encontrou?? Ainda assim a gente a encontra um pouco de tudo o que procuramos em todos lugares que vamos... quem sabe não é isso que faz tudo valer cada vez mais...
Um dia só é tudo, outras vezes nem conta nada... mas e daí??? Sempre vamos reclamar que passou rápido demais, que não foi o suficiente, por mais que seja aproveitado, não vai ser o bastante... nunca é...
Há muita coisa que ainda vale a pena procurar, assim como há aquilo que nem se deve mais lembrar... e assim a gente segue... encontrando mesmo que por pouco tempo, aquilo que faz tudo valer, cada vez mais... e quantas vezes algo tão simples faz ver que tudo, tudo mesmo, sempre vai valer a pena... o tempo todo, mesmo que por pouco tempo, já vale um dia...
E algumas pessoas dizem algo que decepciona... outras dizem aquilo que é preciso, só isso... e em alguns lugares passa-se tempo demais sem saber quanto tempo se passou...
Não existe a plenitude, seja do que for, todos já buscaram, mas alguém encontrou?? Ainda assim a gente a encontra um pouco de tudo o que procuramos em todos lugares que vamos... quem sabe não é isso que faz tudo valer cada vez mais...
Um dia só é tudo, outras vezes nem conta nada... mas e daí??? Sempre vamos reclamar que passou rápido demais, que não foi o suficiente, por mais que seja aproveitado, não vai ser o bastante... nunca é...
Há muita coisa que ainda vale a pena procurar, assim como há aquilo que nem se deve mais lembrar... e assim a gente segue... encontrando mesmo que por pouco tempo, aquilo que faz tudo valer, cada vez mais... e quantas vezes algo tão simples faz ver que tudo, tudo mesmo, sempre vai valer a pena... o tempo todo, mesmo que por pouco tempo, já vale um dia...
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Quadros Vazios
Nada nunca é tão certo quanto uma incerteza... isso realmente é uma afirmação que carregamos dentro do consciente, mesmo que ele discorde inconscientemente, arcando com as consequências...E tudo que se esvai com o tempo, volta ao ponto de partida... e dá voltas, nos enganando sempre... fazendo ver o que interessa e deixa passar o que poderia ser importante, mas que vai se perder depois...
E quando alcançamos o topo, há ainda outros lugares ainda mais altos... novos desafios, velhas partidas... parece que a repetição nunca vai ter fim, será que é pra ser assim??
Antigos momentos que voltam a tona quando menos se espera... no meio do nevoeiro há um sorriso... debaixo das neves uma mão se estende... tirando-o do temporal...
Tudo volta ao começo quando caímos... mas às vezes é tudo o que se precisa...
e novamente tudo se repete, continuamente... um circulo sem fim, mas é interrompido, quando resollve-se ficar de pé, escolher um caminho e ir embora, apenas ir embora e deixar todas as cicatrezes onde ficaram as quedas, onde o inevitável era impossível, mas que seguirá ali, parado em seu circulo, enquanto vê laços se soltando e indo adiante, indo para os lados, apenas por poder olhar as opções...
Antigos momentos que voltam a tona quando menos se espera... no meio do nevoeiro há um sorriso... debaixo das neves uma mão se estende... tirando-o do temporal...
Tudo volta ao começo quando caímos... mas às vezes é tudo o que se precisa...
e novamente tudo se repete, continuamente... um circulo sem fim, mas é interrompido, quando resollve-se ficar de pé, escolher um caminho e ir embora, apenas ir embora e deixar todas as cicatrezes onde ficaram as quedas, onde o inevitável era impossível, mas que seguirá ali, parado em seu circulo, enquanto vê laços se soltando e indo adiante, indo para os lados, apenas por poder olhar as opções...
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Sobre o Tempo
O tempo esvai... um momento que se aproxima;Tão perto, cada vez mais ansioso... parece distante...
As luzes acendem nas ruas...
Setas não levam a lugar nenhum...
Seguimos os caminhos errados;
Nos perdemos na nossa mente...
Venha, vamos lá, parece que ainda temos uma chance
Talvez a gente possa se perder;
E quem sabe é o que queremos...
E tudo ainda parece igual ao que era antes de começar,
Mas o que vem depois, deixemos pra depois...
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Seguindo Adiante
Um surto psicótico e uma idéia totalmente perdida, as avessas e ainda aparece como se quisesse sair, se libertar, aparecer aqui do nada... não entendo o porque disso, mas sei que quando acontece, é hora de escrever...São dias como este que já passaram em que me pergunto se realmente cheguei até aqui, ou como encontrei esses caminhos. Porque sempre corro pela mais longa rua, quando poderia só andar pelos atalhos. Mas não. Sempre acabo escolhendo tudo que é complicado. Talvez todo desafio seja o motivo. Às vezes explodo fácil nesses caminhos. Mas páro e me permito pensar com clareza, guardo um pouco os impulsos pra um momento em q eles sejam realmente úteis... se é que serão...
O tempo todo pareço agir só impulsivamente, deixo os pensamentos guardados e faço apenas aquilo que acredito, mas e daí??? Eu nunca deixei de acreditar em mim até o fim... Mas dessa vez, vai ser muito difícil, será muito mais complicado, talvez eu me perca bastante, mas acima de tudo, preciso acreditar que sim. Mas isso é outro detalhe e não vou me apegar nisso porque não farão tanta diferença no fim das contas... ou pelo menos é o que espero.
Se vou conseguir, não sei, mas não posso mais desistir antes... Não quero deixar algo pela metade, não de novo. O que passou não faz mais diferença. Não mais. Pode ser tudo tão sem sentido, pode não ter explicação, mas agora não tem razão me prender. Mesmo com as nuvens cobrindo a visão, vou encontrando novos caminhos, cheio de abismos, pedras, vendavais...
Chegou a hora de ir além, abrir mão daquilo que me cega e recomeçar.
Não é algo ruim como parece, mas é quase uma trava. E não posso ter isso eternamente no meu caminho se preciso acreditar que vai começar a mudar...
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Os Nossos Dias
Não há establidade, ou lógica...
Várias metades que nunca que chegam ao fim...
Várias metades que nunca que chegam ao fim...
Talvez nunca devessem realmente terminar...
E o começo, sempre fica perdido...
Não há ordem que perdoem estas sombras...
Não há ordem que perdoem estas sombras...
É quando tudo se ajeita dentro do caos...
Transforma a ordem numa aberração de insanidade...
Carrega a poeira ainda umidecida pela brisa que entrou...
Carrega a poeira ainda umidecida pela brisa que entrou...
Deixa de lado, deixa pra trás o que nunca se perdeu...
Levou longe a tempestade dentro da garrafa de vinho...
Desceu pelo horizonte da cachoeira... correndo sobre os trovões...
Ascendeu a luz para ir embora...
Porque estes são os dias que vivemos...
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
pensamento distante
às vezes não queremos muito mais...do que realmente já conquistamos...
só queremos poder ir e pra um dia voltar...
mas por quê voltar???
às vezes queremos só ouvir, ou fazer com que o mundo nos ouça...
e não é nada demais, não parece ser...
mas faz toda a diferença....
porque na maioria das vezes, não tem lógica, não precisa....
mas quem precisa de lógica quando não se tem o que explicar???
até porque... às vezes...
é só o que conta...
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
O Vendedor de Sonhos
Em um pequeno vilarejo, distante das grandes capitais, o homem mais poderoso da cidade é dono de três cavalos, duas vacas e tem um fusca com mais de 20 anos. Um lugar que não conhece as novas tecnologias, não conhece o poder da mídia, vive em um mundo só seu.
O prefeito da cidade comanda pouco menos de 200 pessoas. Vivem até hoje sem eletricidade. Vivem felizes.
Um de seus habitantes curiosamente ganha a vida vendendo frascos de sonhos. As pessoas compram e bebem o elixir mágico que os fazem ver a vida de outra forma, alguns ao beber tem visões de grandes metrópoles, asssustadoras aos seus padrões de vida, outros se imaginam tão poderosos que são donos do mundo. Este homem passa suas noites preparando seus frascos, e durante o dia anda pela cidade vendendo sonhos, o momento mais aguardado depois do almoço.
Todos consomem seus sonhos. Todos têm grandes sonhos e ambições, mas não saem nunca da cidade. Eles têm o que precisam, vivem de sua própria agricultura, de suas terras. Mas os sonhos os alimentam em outro nível de realidade.
Há muitos anos esses sonhos são vendidos, ninguém sabe dizer o que há dentro daquelas garrafas escuras que os deixam sonolentos e vêem a vida de outra forma, mas é tudo que precisam para continuar felizes como vivem, exatamente onde vivem.
Ele sempre espera todos almoçarem e então passa com sua sacolinha, os sonhos são diversos, há de todos os tipos, e ele nunca voltou para casa com um frasco cheio sequer.
A cidade raramente recebe turistas, são poucos os que saíram para viver em outros lugares, mas quem saiu há muito tempo, nunca chegou a conhecer o vendedor de sonhos. Mas a neta do prefeito estava voltando, ela tinha se mudado para estudar fora, tentar trazer um pouco mais de conhecimento ao lugar onde passou quase toda sua vida. Quando retornou reencontrou velhos amigos, nada nunca mudou. Mas de imediato soube do momento mais feliz da cidade, à hora pós almoço em que o vendedor passava. Todos gostavam dele e conversavam por alguns minutos, contavam de seus sonhos e ele os tinha dentro de sua sacola. A moça intrigada com isso, não entendia porque as pessoas se entregavam a isso, poderia ser um alucinógeno, ou uma forte droga viciante, coisas que aquele vilarejo nunca vira antes, mas ela sim. Conversou com seu avô e ele mesmo confirmou que todo o dia compra um frasco de sonhos. Cada vez mais curiosa, ela que recém retornara ao seu berço, tinha que ver aquilo, tinha que saber o que era. Quis saber quem era a pessoa, o gosto que tinha beber um sonho.
E então, naquele dia, após o almoço ela o viu, lembrava-se dele, claro, era um homem simples que cultivava uma pequena horta com vários tipos de legumes, e vivia um pouco mais isolado que os demais habitantes, isso a deixou completamente perplexa. Ela viu toda a cidade comprar os sonhos liquidos e irem dormir felizes. Ela também bebeu, mas dormiu sem sonho algum, ainda assim, preferiu apenas sorrir e dizer aos parentes que teve o melhor sonho de sua vida ganhou sorrisos de volta como prova de que o vendedor realmente deixava a cidade feliz.
No final daquela tarde, ela foi visitar o homem que vende sonhos. Conversou com ele, ele garantiu que não eram drogas, tão pouco alucinógenos que ele nem imaginava o que significava essa palavra. Mas ela não estava satisfeita. Ela por ter vivido tanto tempo fora adquiriu uma caracteristica incomum para aquele lugar. A desconfiança.
E as semanas que passaram ela continuava a beber os sonhos, tirar o cochilo depois do almoço, mas ainda estava intrigada. Então resolveu conversar de novo com o vendedor, ela tinha que saber o que era. Mas ele não disse. A moça pensou até mesmo em levar um frasco para fora da cidade, pedir uma analise para saber o que consumia e viciava aquela cidade, mas não achou que seria certo fazer algo assim com aqueles sonhadores, mas por outro lado ela descobriria a verdade, mesmo que magoasse sua família e amigos.
Só o que ela não esperava é que o vendedor de sonhos um dia a convidasse para fazer os sonhos com ele. De prontidão ela aceitou e foi encontrá-lo á noite, tudo o que ele pediu é que o que ela visse, nunca fosse contado a ninguém, de modo algum, pois era aquilo que mantinha a cidade alegre e feliz, por menos que eles todos tivessem. Ela concordou.
Foi quando viu que o "sonho", nada mais era do que suco de graviola, uma fruta desconhecida da cidade, misturada com leite e açucar, ela ficou ainda mais perplexa, naquele momento, entendeu que o que ele oferecia era apenas um simples suco, mas que os sonhos e ambições estavam dentro de cada um daquele povoado que por medo de deixar a cidade, se deixava levar pela ciesta, afinal, ele vendia depois do almoço porque sabia que as pessoas já estavam cansadas e querendo descansar, então, só os incentiva a sonhar. Após saber isso, ela manteve sua promessa, viveu por mais alguns meses lá e todos os dias ao cochilar depois do almoço tinha grandes sonhos.
Quando foi embora ela finalmente entendeu que o vendedor de sonhos, apenas deu um nome mais bonito a uma fruta que ninguém nunca ouvira falar, até porque, sonhos todos tem, seja qual for, mas experimentar algo novo, num lugar tão rudimentar, talvez não fosse bem aceito e com as palavras certas, as pessoas realmente sonhavam com o que falavam. Nunca houve drogas ou alucinações. Apenas sonhos adormecidos dentro de cada habitante daquela cidade. E assim continuará enquanto aquele homem tiver sementes de graviola para plantar.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Às vezes, de vez em quando
Há dias que não deveriam acabar enquanto outros passam tão rápido que nem percebemos... talvez, por isso, às vezes não parece ter sido real... mas há lembrança.
Tem horas que custam passar e gente que nunca vai desaparecer... gente que sumiu, gente que ainda vai surgir, nunca se sabe... e ainda tem aqueles que sempre acabam voltando... mesmo quando acreditavam não saber voltar.
Há luzes espalhadas pelo mundo, cada um acaba seguindo uma, outros seguem só as sombras, outros preferem a escuridão dos becos... e muitos de nós preferem não ver nada.
E no final todos são livres pra fazer suas escolhas, sempre, o tempo todo... o tempo todo há pessoas indo, voltando, escolhendo, desistindo, lutando... o tempo todo...
Todos sempre tem uma escolha. Sempre há uma. Mesmo que não seja o que se espera, sempre há escolha... o tempo todo, pra tudo...
Tem horas que custam passar e gente que nunca vai desaparecer... gente que sumiu, gente que ainda vai surgir, nunca se sabe... e ainda tem aqueles que sempre acabam voltando... mesmo quando acreditavam não saber voltar.
Há luzes espalhadas pelo mundo, cada um acaba seguindo uma, outros seguem só as sombras, outros preferem a escuridão dos becos... e muitos de nós preferem não ver nada.
E no final todos são livres pra fazer suas escolhas, sempre, o tempo todo... o tempo todo há pessoas indo, voltando, escolhendo, desistindo, lutando... o tempo todo...
Todos sempre tem uma escolha. Sempre há uma. Mesmo que não seja o que se espera, sempre há escolha... o tempo todo, pra tudo...
disturbios
não quero ser apenas aquilo que posso ver, preciso ir além dos horizontes que meus pensamentos podem ir.
engraçado pensar em como essa frase martelou minha mente por tanto tempo, parecia querer me dizer para ir além, mesmo que eu não soubesse ir além do que... mas nem por isso parei de pensar como se precisasse descobrir algo sobre mim que eu ainda não soubesse.
é tão estranho pensar que pode existir algo sobre nós mesmo que não conhecemos. mas se for parar pra pensar, por quê não? o universo é algo gigante e ainda inexplorado por completo, isso tudo são milhões de atomos e moleculas que juntos constituem imensos corpos celestes, mas veja bem, "atomos e moleculas", são parte de nós, logo, somos parte do universo, logo, somos parte do mistério, ou uma parte da resposta.
fico confuso de pensar nessas coisas porque parece que quando vejo as coisas assim, as respostas que quero parecem diluir num copo d'agua, como se um analgesico caísse dentro. e então todas aquelas bolhas de ar, cada uma com uma resposta dentro vão desaparecendo, por mais que eu queira, não seria bebendo a agua que eu encontraria as respostas.
talvez, como odeio esse "talvez", existam mais coisas sobre nós mesmos que seja melhor não descobrir, ou que mesmo a ciencia não possa explicar.
mas há tão pouco o que não é explicado por ela, e, sempre há o atrito natural do lado cientifico e o filosofico. não sei para qual lado eu tenho tendencia de acreditar mais, porque há verdade em ambos os lados, há grandes heranças em ambos os lados, e não sei se quero ter que escolher, não quero ter que acreditar somente numa coisa, pois busco respostas de uma frase tão confusa quanto este momento em que escrevo, mas a idéia central era mesmo pregar a confusão, não sei se apenas em mim ou em você que leu e não entendeu nada.
engraçado pensar em como essa frase martelou minha mente por tanto tempo, parecia querer me dizer para ir além, mesmo que eu não soubesse ir além do que... mas nem por isso parei de pensar como se precisasse descobrir algo sobre mim que eu ainda não soubesse.
é tão estranho pensar que pode existir algo sobre nós mesmo que não conhecemos. mas se for parar pra pensar, por quê não? o universo é algo gigante e ainda inexplorado por completo, isso tudo são milhões de atomos e moleculas que juntos constituem imensos corpos celestes, mas veja bem, "atomos e moleculas", são parte de nós, logo, somos parte do universo, logo, somos parte do mistério, ou uma parte da resposta.
fico confuso de pensar nessas coisas porque parece que quando vejo as coisas assim, as respostas que quero parecem diluir num copo d'agua, como se um analgesico caísse dentro. e então todas aquelas bolhas de ar, cada uma com uma resposta dentro vão desaparecendo, por mais que eu queira, não seria bebendo a agua que eu encontraria as respostas.
talvez, como odeio esse "talvez", existam mais coisas sobre nós mesmos que seja melhor não descobrir, ou que mesmo a ciencia não possa explicar.
mas há tão pouco o que não é explicado por ela, e, sempre há o atrito natural do lado cientifico e o filosofico. não sei para qual lado eu tenho tendencia de acreditar mais, porque há verdade em ambos os lados, há grandes heranças em ambos os lados, e não sei se quero ter que escolher, não quero ter que acreditar somente numa coisa, pois busco respostas de uma frase tão confusa quanto este momento em que escrevo, mas a idéia central era mesmo pregar a confusão, não sei se apenas em mim ou em você que leu e não entendeu nada.
sábado, 27 de agosto de 2011
Medo
Ele buscava o topo da montanha a qualquer custo. Nada o impedia de sonhar cada vez mais alto. Nada o fazia perder a crença de um dia alcançar o estrelato que tanto sonhou. Nem mesmo o fato de ter perdido tudo, até mesmo seu emprego o fez desistir. Ele quer isso, não para provar alguma coisa para aqueles que não acreditaram, mas para ele mesmo que sempre acreditou. Para o seu ego, apenas.
Acordava cedo todos os dias como se ainda estivesse empregado, caminhava pelas ruas com sua câmera, a procura daquilo que um dia poderia lançá-lo longe.
Até que numa fria manhã de terça feira, resolveu comer alguma coisa só para enganar o estomago mais um pouco. Mas eis que ao entrar naquele bar tudo estava prestes a mudar. Chegou até o balcão e antes mesmo que pudesse pedir alguma coisa, ouviu a arma engatilhando atrás de sua cabeça.
Rezou muito, pediu para que ao menos pudesse sair vivo daquela situação. Mas antes que o meliante fosse embora, se deu conta que aquilo era só o começo do rumo ao estrelato que tanto buscou. Abriu os olhos e naquele instante viu que tudo tinha acabado. Mas não para ele.
Aquela sequência de acontecimentos momentâneos o incomodou por muito tempo. Mas não ao ponto de fazê-lo desistir de encontrar aquele que o fez encontrar o que precisava para chegar de novo ao topo que nunca pôde ver de perto.
O tempo parecia correr contra ele, mas não desistiu. Acreditou que cegamente que agora sabia o porquê de ser repórter. Buscou informações em todos os lugares e por todos os meios, exatamente como aprendeu nos tempos de faculdade e de quando estava ainda no jornal. E após muito tempo perguntando em todos os becos, para todos aqueles que pareciam "perigosos", finalmente uma pista que poderia seguir. Os dias passaram e ele acompanhou ao longe o bandido que colocou a arma em sua cabeça, ia memorizando todos os passos rotineiros do homem. Pensava em como poderia abordar um sujeito que poderia tê-lo matado. Não tinha idéia se estava daquele jeito por medo ou ansiedade. Começou a se questionar se a fama valia tanto assim.
Todos os dias ele respirava fundo e acompanhava aquele homem, claro que ele já deveria estar desconfiado de estar sendo seguido e que isso poderia acabar mal, tinha que pensar nas possibilidades, pensou que seu suor já exalava medo. Mas não ia recuar, parou como sempre ao lado do poste, olhando para frente, esperando o momento que o meliante sairia daquela porta e formulava várias perguntas novas, mesmo que já tivesse muitas anotadas. Mas algo estava errado, já passava do horário e nada da porta se abrir, aquela rua movimentada como sempre parecia bem vazia, as pessoas todas pareciam encarar esse repórter desempregado.
"-Ei, por que você fica aí o dia todo olhando ali? Você é policial?" perguntou o bandido surgindo ao seu lado. Andou até ficar de frente. Encararam-se ambos estavam maltrapilhos, estavam frente a frente. E aquele rosto que nunca chegou a ver tão perto, o fez lembrar-se do som daquilo que o vez ver tudo além do que queria. Não era o medo que realmente sentiu aquele momento, não era nada além da vontade de fazer uma proposta da qual poderia um dia se arrepender, mas que o alçaria da forma que sonhou.
"-Não, não sou policial, sou só um repórter, mas preciso muito falar com você." Aquela frase ecoou dentro de sua mente, seu coração parecia acelerar.
E o meliante aceitou conversar. Aquele homem sombrio, que parecia não ter expressões, nem demonstrava qualquer emoção. Mas agora era tarde para recuar. Fez a proposta, falou de sua grande idéia. "Um sequestro?" - perguntou o meliante. "Sim, deixe-me explicar". Naquela hora, todas suas anotações escritas e mentais pareciam ter desaparecido, que proposta era aquela que ele fazia a um malfeitor?
"-A minha idéia é simularmos um sequestro meu, onde vou relatar tudo o que passei, depois escreveria sobre o sequestrador, ambos seremos astros, ambos teremos fama e fortuna, não importando como conseguimos". Era tudo muito bem planejado, principalmente por ser um improviso de tudo que ele deixou para trás ao contar isso.
Contou tudo, explicou os detalhes de seu plano, não teria como dar errado. Mas dependia do bandido aceitar, a grana era alta, claro, porque mesmo desempregado, ele era um repórter conhecido na mídia, foram muitos anos dentro do mesmo jornal, as pessoas sabiam quem ele era, iriam querer ajudá-lo num momento de dificuldade como esse. E como as coisas poderiam dar errado? Mas nem tudo pode dar tão certo.
O bandido e o repórter seguiram para dentro do apartamento onde o bandido morava, conversaram sobre o plano, era realmente muito bom para ser algo apenas improvisado. Pediu ao homem um copo d'água, viu a arma sobre a mesa, aquele ser que um dia colocou a arma em sua cabeça estava de costas, assim como ele estava quando se viram pela primeira vez. Não pensou duas vezes, foi tomado novamente pelo medo, mas agora era ele quem estava em vantagem. Engatilhou a arma, pegou uma almofada do chão e encostou no bandido. Aquele homem que nunca parecia expressar nada, fechou o rosto, dava medo até mesmo de pensar qualquer coisa, eis que a arma é disparada, e, naquele apartamento sujo e escuro, isolado, quem poderia saber que eles estavam lá, ou quem saberia ao menos quem eram eles. Um disparo abafado por uma almofada. Foi só o que se ouviu e o que nunca ecoou. Tudo parecia mais escuro, muito mais.
Ele limpa as digitais da arma, sai andando tenta não demonstrar qualquer emoção ou sentimento. Seus sonhos estavam enterrados de vez. Aquele homem que um dia sonhou em ser o maior repórter que já se ouviu falar acabou de matar. Sorria escondido, estava satisfeito. Não queria mais os sonhos do passado, queria apenas ter a satisfação de tirar a vida daquele que poderia te-lo matado. Mas e agora esta era sua nova realidade? Esta seria sua nova vida?
A sensação do medo, a frieza, não sabia explicar o que sentia, o que se passou naquele instante em que puxou o gatilho, não sabia expressar ao certo o que houve, mas estava satisfeito, como se tivesse virado uma pagina mal escrita. E agora manchada de sangue, uma marca que jamais poderá tirar de sua vida, que jamais irá revelar, não sabia por que fez isso, não sabia explicar nem a si mesmo por que mudou de idéia, da entrevista, ao sequestro, à morte. Agora vai para casa escrever uma crônica sobre seus momentos de pavor ao quase morrer, mas guardando em seu intimo a sensação de ter estado do lado oposto da situação, afinal, agora ele pode ter um emprego de novo, será a melhor história que já escreveu e que nunca a contará por completo.
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