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segunda-feira, 11 de junho de 2012

A musa e o Grande Irmão



AVISO:
Este texto foi anteriormente postado no blog do Social Rock Club.
Se você o leu lá, ignore-o aqui.

AVISO 2:
Dia 8 de junho fez 63 anos que 1984 foi lançado e dia 9 foi aniversário do Matt Bellamy, então achei oportuno publicar este post de novo.


 Para a grande maioria, a relação da banda Muse com a ficção se resume à trilha sonora dos filmes da série Crepúsculo (o que meio que estigmatizou a banda, já que a série de livros/filmes sobre os vampiros de Stephenie Meyer desperta o ódio na mesma proporção em que angariou fãs ardorosos). Mas uma olhada mais atenta e é fácil ver como a ficção vem inspirando a banda em suas músicas e clipes.

Tem como ver o clipe de Time is running out e não se lembrar do Dr Fantástico do Kubrick?


E de todas as vezes que o Muse buscou inspiração na ficção, nenhuma ficou tão evidente como no álbum The Resistance, de 2009 e atulhado de referências ao livro 1984 de George Orwell.

1984 foi publicado em 1949 e conta a história de Winston Smith, cidadão de uma sociedade oligárquica e coletivista, onde todos são observados de perto e contralados pelo Grande Irmão (em inglês Big Brother, e sim, foi de 1984 que saiu o termo que batizou aquela atrocidade televisiva).

“O Grande Irmão é onipotente. Cada sucesso, realização, vitória, descobrimento científico, toda sabedoria, sapiência, virtude, felicidade, são atribuídos diretamente à sua liderança e inspiração”.

Em meio a tanta repressão, Smith se depara com a insignificância de sua vida. Desiludido com sua existência miserável e consciente de que “respeitando as leis menores podia infringir as maiores”, ele começa uma rebelião contra o sistema.


Enquanto luta contra sua insignificância e contra o sistema, Smith se apaixona por Julia – um romance que vai contra as regras que sufocam Smith e que aos leitores mais desatentos pode parecer simplesmente mais um obstáculo para o personagem tropeçar e cair nas garras de seus opressores.

Matt Bellamy, vocalista e guitarrista do Muse, disse em entrevista que leu 1984 quando estava na escola e na época só prestou atenção aos aspéctos políticos da história, mas ao reler o livro anos depois foi a história de Smith e Julia que lhe causou maior impacto.

“Essa idéia de que o amor era o único lugar onde havia um pouco de liberdade. O ato de amar pode ser um ato político nesse tipo de cenário, como o único lugar onde o Estado não pode invadir sua privacidade.”

O impacto que a releitura de 1984 causou em Bellamy fica evidente em Resistance, segunda faixa do álbum. Ali estão todos os questionamentos de Winston – “será que nosso segredo está seguro esta noite?”, “ou será que nosso mundo está desmoronando?”, “isto pode estar errado, mas deveria estar certo” – e a convicção de que “Love is our resistance”.


 Em MK ULTRA Winston Smith e Julia lutam para manter seu relacionamento contra a pressão do Estado.

“O comprimento de onda cresce lentamente,
Noções coercivas se expandem novamente
Um universo preso em uma lágrima
Ressoa no núcleo,
Cria leis não-naturais
Substitui amor e felicidade por medo

Quanta decepção você pode suportar?
Quantas mentiras você criará?
Quanto tempo até você desmoronar?
Sua mente está perto do colapso”


 Como 1984 não foi escrito por Stephenie Meyer, o final feliz não é garantido. Winston e Julia são pegos pela Polícia do Pensamento, e é nesta altura do livro que Orwell deixa claro que é de dentro para fora que se destrói um indivíduo. Os dois são torturados e acabam delatando um ao outro. Diante da traição e da certeza de ter sido traído, Winston e Julia se separam e a rebelião de Winston chega ao fim.

Guiding Light, quinta faixa do álbum, retrata a desorientação e o vazio de Winston depois que a Polícia do Pensamento o libera.

“Você era minha luz orientadora

E o conforto e o aconchego não podem ser encontrados
Eu ainda procuro por você
Mas estou perdido, destruído, e gelado, e confuso
Sem uma luz orientadora”


O mais perturbador de 1984 é que, salvo alguns extremos, George Orwell conseguiu descrever bem a sociedade atual. “Hoje o que havia era medo, ódio, dor, porém nenhuma dignidade de emoção, nenhuma mágoa profunda e complexa”. E matt Bellamy demonstrou uma sensibilidade absurda ao perceber que é em suas paixões que um individuo mostra resistência contra todo o controle e influência da sociedade em que vive.

Sendo assim, rock’n’roll is our resistance. 

segunda-feira, 28 de maio de 2012

"LOVE" – ou simplesmente "O filme produzido pelo Tom DeLonge baseado nas músicas do Angels and Airwaves"




AVISO:
Este post é livre de gordura Trans e de spoilers.
 

Às vezes quando acordo sinto que ainda estou dormindo, sinto que todas as formas e cores do mundo se colidiram e que tudo que posso fazer é sentar e assistir.
Creio que o coração de uma pessoa se apaga quando não encontra mais razões. Suponho que essa é a razão pela qual a natureza sempre teve uma presença inspiradora, tudo nela tem um propósito.
Acho que estamos nos esquecendo de algo.
Por que lutamos para respirar um ar melhor quando todos acabamos no mesmo lugar?
Espero que valha a pena recordar nossa história. Uma impressão de um esmerado desejo, uma sensação de propósito sincero e um sentimento de esperança em algo maior que nós mesmos.
Nesse momento, talvez eu acorde.


Algumas bandas têm o poder de criar músicas que causam (não me perguntem como) uma espécie de sentimento épico (e é melhor também não me pedir para definir esse “sentimento épico”). Uma dessas bandas é a Angels and Airwaves, banda fundada por Tom DeLonge durante o “hiato indefinido” do Blink 182.

E como se não bastasse causar o sentimento época através de suas músicas, Tom DeLonge resolveu produzir um filme baseado no som do Angels and Airwave.

O resultado desta empreitada de Tom DeLonge como produtor é o filme Love, lançado ano passado.



O filme conta a história do Capitão Lee Briggs e do Capitão Lee Miller. O primeiro Lee luta durante a Guerra Civil Americana e, quando os confederados cercam seu regimento, ele é o único a ser liberado e recebe a missão de escrever um diário, uma espécie de homenagem aos homens que lutaram ao seu lado (o trecho no começo do post é parte deste diário).

Já o segundo é um astronauta que, em 2039, está prestes a deixar a estação espacial e voltar para casa quando algo dá errado e ele fica isolado, sem qualquer comunicação com outro ser humano e sem saber o que é que está acontecendo na Terra.

No decorrer do filme a gente acaba descobrindo que os dois capitães tem uma ligação maior do que simplesmente o nome em comum.

O curioso é que o filme chama Love e conta a história de um homem que viveu os horrores da guerra e de outro que sofre completo isolamento. E, de uma maneira estranha mas eficaz, assistir Love é uma experiência que redefine o “amor” como não algo direcionado a uma única pessoa específica, mas algo compartilhado com toda a nossa espécie (ou pelo menos foi essa a sensação que eu tive quando o filme acabou).

Ah! Dizem que quem avisa amigo é, então aviso logo que Love é aquele tipo de filme para quem gosta de filme (!?). Alguns fãs da banda assistiram o filme por causa da trilha sonora e reclamaram que ele é muito lento. Mas se você tem cérebro e não é daqueles inquietos que não conseguem se concentrar em nada por mais de 5 minutos, a uma hora e vinte do filme passa despercebida.


quarta-feira, 9 de maio de 2012

4 nomes de bandas inpirados em livros


  
AVISO:
Se você acha que todo musicista é um troglodita iNgnorante, você está prestes a quebrar a cara.

AVISO 2:
Não estou dizendo que não existem musicistas trogloditas e iNgnorantes. Eles existem, mas são minoria (e, como diria Peter Griffin, quanto antes você se convencer disto melhor para o nosso casamento).


Sem mais avisos, segue abaixo a impressionante lista com 4 (QUATRO!) bandas que têm nomes inspirados em livros (sim, a lista poderia ser muito mais extensa, mas bateu a preguiça de pesquisar então vou postar só as que eu já sabia).


MY CHEMICAL ROMANCE


Antes de transformarem o velório da Helena em videoclipe e de invocarem os Killjoys pra fazer barulho, Gerard Way e cia foram buscar inspiração para batizar a banda no livro de contos de Irvine Welsh “Ecstasy: Three Tales of Chemical Romance”.

Pra quem não sabe, Irvine Welsh é o autor de Trainspotting, que em 1996 foi adaptado para o cinema. Se você não assistiu Trainspotting... Bom, se você não assistiu Trainspotting eu não te respeito.



THE DOORS


“Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo se mostraria ao homem tal como é: infinito”.

A frase acima foi escrita pelo poeta e pintor inglês William Blake e faz parte de seu livro “O casamento do céu e do inferno”, de 1790. E foi também a frase acima que inspirou o inglês Aldous Huxley na hora de dar nome ao seu livro “As Portas da Percepção” em que o autor brisa sobre como o consumo de mescalina, LSD, longos períodos de jejum, de silêncio e isolamento e até autoflagelação podem abrir as “portas da percepção”.

Junte a espiritualidade de Blake e a brisa de Huxley e o resultado disto vai ser a inpiração para o nome da banda The Doors.

 Além do nome da banda ser inspirado no livro de Huxley (que por sua vez foi inspirado nos versos de Blake), reza a lenda que Morrison, também inspirado por Huxley, conferia a suas experiências com mescalina e ácido lisérgico um caráter de ritual inspirado no xamanismo.



STEPPENWOLF


Provavelmente você conhece a música Born to be Wild. Se você não conhece a música Born to be Wild... Bom, o Google/youtube ta aí pra resolver o seu problema.

Apesar de nascidos para serem selvagens (trocadilho infame), os caras da Steppenwolf não são trogloditas e foram buscar inspiração para o nome da banda em um dos livros do escritor alemão Hermann Hesse – Prêmio Nobel de Literatura em 1946.

Selvagens sim, incultos jamais.



SAVAGE GARDEN


"A mente de cada ser humano é um jardim selvagem"

Esta frase é do livro “O vampiro (e Sr Fodão) Lestat”. E esqueça o “Sr Fodão” que isso foi por minha conta. O fato é que o livro da Anne Rice serviu de inspiração para Darren Hayes batizar sua banda (de dois).

E tudo bem que a banda já acabou faz mais de uma década e que hoje em dia pop da década de 90 só presta pra queimar o filme, mas sou fã dos livros da Anne Rice e do vampiro (e Sr Fodão) Lestat e sua gangue de vampiros (afetados), por isso a banda entrou para esta “seleta” lista. 


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

13 videoclipes inspirados em filmes


AVISO:

(Só para o post de hoje não ficar sem AVISO) O número 13 no título do post não tem qualquer significado além de dizer que abaixo segue uma lista com 13 clipes inspirados em filmes.



Dr. Fantástico + Muse
Se você prestar atenção na letra de Time Is Running Out vai perceber que ela serve tanto como uma canção de amor (um amor meio doente e viciado, mas tudo bem) como pode ser interpretada como uma música sobre um holocausto nuclear.
Holocausto nuclear (ou a tentativa de evitar um – ênfase para o “tentativa”) também é o tema de Dr. Fantástico, filme de 1964 e um dos melhores trabalhos do Stanley Kubrick.
Reza a lenta que o diretor do clipe chegou para a banda com a idéia de misturar o filme do Kubrick com mulher seminuas dançando. E o resultado foi esse aí.



Corra, Lola corra + Yellowcard
Se não fosse pelas fileiras de freiras (fala rápido três vezes “pelas fileiras de freiras”) que atrapalham a fuga de Ryan Key eu nem teria notado que o clipe de Ocean Avenue é inspirado em Corra, Lola Corra.
No filme alemão de 1998, Lola recebe um telefonema de seu namorado que acabou de perder uma pequena fortuna que transportava numa espécie de teste para provar que um bando de criminosos podia confiar nele, desesperado ele conta a ela que tem 20 minutos para recuperar o dinheiro e é aí que a correria começa. Já no clipe, o vocalista corre, corre e corre para recuperar um maleta e fugir da própria banda.
Corre, Ryan corre.



O Iluminado + 30 Seconds to Mars
Outro filme do Kubrick que “virou” clipe.
De 1980, O Iluminado conta a história de um cara contratado para ser vigia de um hotel durante o inverno. Ele arrasta a família para o meio do nada e fica lá isolado tomando conta do hotel, com o passar do tempo o isolamento faz com que ele desenvolva um desejo assassino de exterminar a própria família e seu filho desenvolve uma carie (um amiguinho) que fala dentro de sua boca.
Para The Kill ser um remake de O Iluminado só faltou o Jared Leto descendo o machado na porta do banheiro, colocando a cara no rombo aberto a machadadas e imitando a careta do Jack Nicholson.
  

Moulin Rouge + The Killers
O filme de Baz Luhrmann que levou quase dois anos para ser filme e que custou a Nicole Kidman uma costela quebrada e o rompimento do menisco foi o primeiro musical em 23 anos a ser indicado para o Oscar de melhor filme (e é um dos poucos musicais que eu tolero).
No clipe de Mr. Brightside o The Killers fizeram sua versão de Moulin Rouge – O Amor em Vermelho sem a costela quebrada e o menisco rompido.





Brilho Eterno de uma Mente sem lembranças + Stars
Eu não conheço ninguém que não tenha gostado de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, então acho meio desnecessário ficar falando muito sobre o filme.
E pra falar a verdade, eu nem conhecia a música Your ex-Lover is Dead, acabei esbarrando nela quando fui pesquisar para o post. No vídeo a banda Stars revive uma das cenas de Joel e Clementine e a letra de Your ex-Lover is Dead parece contar a história de alguém que teve suas lembranças removidas como no tratamento que aparece no filme.




8 ½ + REM
De 1963, Oito e Meio de Federico Fellini começa com um sonho do personagem principal, o cineasta Guido Anselmi. Neste sonho Guido está preso em um engarrafamento, um carro quase colado no outro, de repente o carro começa a se encher de fumaça e Guido tem que sair do carro pela janela, com todas as outras pessoas presas no engarrafamento assistindo sua luta para não se asfixiar.
O REM pegou este enigmático sonho do Guido (ou seria do Fellini?) e transformou no clipe de Everybody Hurts.



Juventude Transviada + Paula Abdul
Antes da Paula Abdul virar jurada do American Idol e antes do Keanu Reeves vestir o sobretudo em Matrix ou usar gatos como passaporte para o inferno em Constantine, alguém decidiu que a música “Rush, Rush” tinha tudo a ver com o filme Juventude Transviada, de 1955 e com o James Dean no papel principal.
O resultado foi essa joça aí.





Um Corpo Que Cai + Faith No More
Imagine uma versão musical e um pouco mais bem humorada do filme de Hitchcock e você tem o clipe de Last Cup of Sorrow.






Os Homens Preferem as Loiras + Madonna
Sabe aquela música "Diamons Are A Girl’s Best Friend" que Nicole Kidman canta em Moulin Rouge? Marilyn Monroe cantou na comédia Os Homens Preferem as Loiras, de 1953. E mais do que servir de inspiração a cena é quase reproduzida com exatidão no clipe de Material Girl da Madonna.






A Fantástica Fábrica de Chocolate + Marilyn Manson
Mudando de Marilyn (não pude evitar o trocadilho idiota).
Marilyn Manson não habita os sonhos das crianças como a Fantástica Fábrica de Chocolate habita os sonhos dos chocólatras mirins desde 1971 (na verdade ele está mais propenso a habitar pesadelos), mas no clipe de Dope Hat ele vestiu o chapéu de Willy Wonka e saiu distribuindo doces para as criancinhas (do jeito dele, é claro).






Laranja Mecânica + Blur
Kubrick de novo.
Seja no visual ou na atitude, Alex Delarge já inspirou muita gente. 
Com os caras do Blur não foi diferente. No clipe de The Universal eles resolveram aderir ao visual dos drugues e foram à leiteria tomar um moloko.






Viagem à Lua + The Smashing Pumpkins
Para buscar inspiração para o clipe de Tonight Tonight  o povo do Smashing Pumpkins cavou fundo até topar com o curta de 1902 do Georges Méliès Viagem à Lua.
No curta (e no clipe) uma expedição parte rumo a Lua e encontra por lá seres não muito amistosos.




Yellow Submarine + Kesha
Provavelmente se um beatlemaniaco ler isso aqui vai torcer o nariz diante desta associação.
Bom, eu não tenho nada a ver com isso. Foi a própria Kesha que em uma entrevista disse que a parte de animação do clipe Your Love is My Drug foi inspirada no filme de 1968.






Fonte: