Às
vezes quando acordo sinto que ainda estou dormindo, sinto que todas as formas e
cores do mundo se colidiram e que tudo que posso fazer é sentar e assistir.
Creio
que o coração de uma pessoa se apaga quando não encontra mais razões. Suponho
que essa é a razão pela qual a natureza sempre teve uma presença inspiradora, tudo
nela tem um propósito.
Acho
que estamos nos esquecendo de algo.
Por
que lutamos para respirar um ar melhor quando todos acabamos no mesmo lugar?
Espero
que valha a pena recordar nossa história. Uma impressão de um esmerado desejo,
uma sensação de propósito sincero e um sentimento de esperança em algo maior
que nós mesmos.
Nesse
momento, talvez eu acorde.
Algumas bandas têm o poder de criar músicas
que causam (não me perguntem como) uma espécie de sentimento épico (e é melhor
também não me pedir para definir esse “sentimento épico”). Uma dessas bandas é
a Angels and Airwaves, banda fundada por Tom DeLonge durante o “hiato indefinido”
do Blink 182.
E como se não bastasse causar o sentimento
época através de suas músicas, Tom DeLonge resolveu produzir um filme baseado
no som do Angels and Airwave.
O resultado desta empreitada de Tom DeLonge
como produtor é o filme Love, lançado ano passado.
O filme conta a história do Capitão Lee
Briggs e do Capitão Lee Miller. O primeiro Lee luta durante a Guerra Civil
Americana e, quando os confederados cercam seu regimento, ele é o único a ser
liberado e recebe a missão de escrever um diário, uma espécie de homenagem aos
homens que lutaram ao seu lado (o trecho no começo do post é parte deste
diário).
Já o segundo é um astronauta que, em 2039, está
prestes a deixar a estação espacial e voltar para casa quando algo dá errado e
ele fica isolado, sem qualquer comunicação com outro ser humano e sem saber o
que é que está acontecendo na Terra.
No decorrer do filme a gente acaba
descobrindo que os dois capitães tem uma ligação maior do que simplesmente o
nome em comum.
O curioso é que o filme chama Love e conta a
história de um homem que viveu os horrores da guerra e de outro que sofre
completo isolamento. E, de uma maneira estranha mas eficaz, assistir Love é uma
experiência que redefine o “amor” como não algo direcionado a uma única pessoa específica,
mas algo compartilhado com toda a nossa espécie (ou pelo menos foi essa a
sensação que eu tive quando o filme acabou).
Ah! Dizem que quem avisa amigo é, então aviso
logo que Love é aquele tipo de filme para quem gosta de filme (!?). Alguns fãs
da banda assistiram o filme por causa da trilha sonora e reclamaram que ele é muito
lento. Mas se você tem cérebro e não é daqueles inquietos que não conseguem se
concentrar em nada por mais de 5 minutos, a uma hora e vinte do filme passa
despercebida.
Este post contém desorientação,
alucinações, realidades paralelas e que não são reais e alguns spoilers dos filmes nele contidos. Mas, na realidade
(que não é a realidade, porque a realidade na realidade não existe), são spoilers praticamente inofensivos.
AVISO 2:
Não, eu não me sinto nem um pouco
culpada de postar spoilers.
E
dito isso estou apta a dizer a barbaridade que eu quiser e bem entender
Sem mais, segue abaixo uma lista com 10
filmes onde a realidade na realidade não é real porque a realidade é bem
diferente da realidade.
Apreciem o post (e os spoilers).
Inception
Comecemos pelo óbvio (que, na realidade real,
de óbvio não tem nada).
Leonardo DiCaprio entra num sonho, cria lá
dentro uma realidade que não é real, dentro desta realidade insere outro sonho
e aí insere um nego nesse sonho dentro desta realidade que não é real porque
está dentro de um sonho criado pelo Leonardo DiCaprio e que é tipo uma
realidade paralela que não é real. Aí ele dá um chute, o sonho desmorona e o
peão (da casa própria) roda, roda, roda, faz que vai cair mas não cai, mas podia
ter caído e quando termina o filme você vira pra pessoa ao seu lado e pergunta
“mas caiu?”.
Matrix
Neo era um hacker que vivia na realidade virtual
antes da internet chegar para a maioria dos mortais comuns brasileiros (irônico
pensar que quando Matrix foi lançado não existia Facebook, Twitter e nem se
quer o coitado do Orkut).
Aí o Neo segue o coelho branco e encontra o
Morpheus que oferece pra ele a pílula vermelha, e então ele descobre que a
realidade não é a realidade (na realidade ele não é um hacker, ele é tipo uma
pilha alcalina humana).
Depois que desplugam o cabo USB de sua nuca e
Neo se tornar uma alma livre, ele resolve se replugar na bagaça, desta vez para
confrontar a Matrix.
No final são três realidades: a criada pela
Matrix onde o Neo era um hacker, a realidade real onde o Neo é careca e come a
gororoba branca na nave e a realidade super fudida onde ele usa sobretudo e
desvia das balas em câmera lenta.
Sucker Punch
Babydoll (que na realidade deve ter um
nomezinho melhor que esse) é uma garota desafortunada que perde a mãe, sofre
nas mãos do padrasto que queria a herança da mãe morta, acaba matando sem
querer a irmã mais nova e vai parar num hospício.
Dentro do manicômio (e provavelmente graças a
algum tarja preta) Babydoll vai parar numa realidade paralela onde ela não está
num hospício e sim numa espécie de cabaré. E quando Babydoll dança ela entra
numa terceira e super fudida realidade onde ela com uma espada detona robôs, um
dragão e autômatos nazistas.
Apesar da complexidade das três realidades se
intercalando, na realidade a mensagem do filme, por assim dizer, é bem simples:
“A realidade é uma prisão, sua mente pode
libertá-lo”.
Franklyn
A história acontece simultaneamente em
Londres e numa metrópole futurista chamada Meanwhile City – que é
governada pela fé e pelo fervor religioso. Preest é um detetive mascarado que
tenta vingar a morte de uma menina que ele deveria ter salvado, mas não salvou.
Emília é uma estudante de artes com tendência à autodestruição e que tenta de
várias maneiras fazer a morte parecer mais artística. Milo é um cara solitário
que tenta voltar à pureza do primeiro amor e têm conversas com uma amiga
imaginária interpretada pela mesma atriz que faz a artista com tendência à
autodestruição. Esser é um pai desesperado que procura seu filho desaparecido
pelas ruas de Londres. E no fim as histórias de todos eles estão interligadas e
uma bala vai decidir o destino de todo mundo.
E a realidade real é essa aqui: se você ainda não assistiu Franklyn,
assista, porque a brisa é muito foda pra caralho porra!
A passagem
Sam Foster é um psiquiatra. Henry Letham é um
perturbado que procura o psiquiatra para dizer que vai se matar. E Letham um
anagrama de “Hamlet”.
Além de planejar se matar e ter como
sobrenome um anagrama de um personagem de Shakespeare, Henry começa a fazer estranhas
e terríveis profecias que se realizam e fazem o psiquiatra precisar de um
psiquiatra. E no final, é claro, nada é o que parece.
Eu só fui entender o que realmente tinha
acontecido na história depois que assisti os extras do DVD de A Passagem, mas
altamente recomendo a desorientação que o filme causa.
Repo Men
O filme retrata uma triste e sádica realidade
onde as pessoas compram órgãos como quem compra um carro novo (um pâncreas zero
km, ouvidos turbinados, um fígado total flex). O problema desta triste e sádica
sociedade onde as pessoas compram órgãos como quem compra peças de decoração é
que se elas não pagam a prestação direitinho vem um cara e toma o órgão (não
importando o quanto de sangue ele tenha que derramar para isso). Quem faz esse
trabalho de retirada de órgãos são os Repo Men.
Depois de uma ziquizira toda um dos Repo Men
se estrepa inteiro e acaba precisando dos serviços da empresa que ele prestava
serviço, e de Repo Man ele passa a comprador de órgão, e de comprador ele passa
a inadimplente, e de inadimplente ele passa a fugitivo, e de fugitivo ele passa
ao “cara que vai confrontar a corporação que vende órgãos para que não pode
pagar por eles”.
No meio dessa jornada de Repo man ao “o cara
que vai confrontar a corporação”, a luta contra a triste e sádica realidade
deixa de ser a realidade porque a realidade é mais triste e sádica do que
parece ser (mas eu não vou dizer mais nada porque até spoilers
têm limites).
Donnie Darko
Se você já assistiu este filme, e se você não
assistiu sozinho, então você já se deleitou com uma enxurrada de suposições e
teorias sobre o perturbado do moleque Donnie, sobre a turbina que deveria
esmagar o moleque Donnie e sobre Frank, o coelho macabro, que diz ao moleque
Donnie que o mundo vai acabar em 28 dias e algumas horas e alguns segundos.
Recentemente eu descobri que a explicação
para a bagaça toda está no livro que o professor do Donnie entrega para ele no
começo do filme.
O livro “A filosofia de Viagem no Tempo,
escrito pela Roberta Sparrow (é, a velha tinha que chamar Roberta), explica que
existe o universo que nós vemos e vivemos nele, o chamado Universo Primordial,
e o Universo Tangente, que para efeito prático e “resumitivo” vamos dizer que é
criando quando um objeto do nada cai no universo Primordial – tipo uma turbina
de um avião. Este Universo Tangente é tipo uma bolha que vai estourar em poucas
semanas – tipo 28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos – e ao estourar vai
colapsar o Universo Primordial e obviamente acabar com o mundo.
Para deletar o Universo Tangente e salvar o
Universo Primordial Donnie precisa devolver ao Universo Tangente o objeto que
caiu no Universo Primordial. Então, usando água e metal, ele devolve a turbina
de avião para a puta que pariu de onde ela veio, o tempo anda para trás e os 28
dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos que ele viveu são deletados da linha
temporal, porque na verdade eles nunca realmente aconteceram porque eles faziam
parte do Universo Tangente que não é a realidade vigente no Universo
Primordial.
Entendeu? Não. Então assiste o vídeo.
Contra o tempo
Desta vez o Jake Gyllenhaal não é um moleque
com números rabiscados no braço e assombrado por um coelho, agora ele é um
militar que acorda no corpo de outro homem e tem a missão de reviver os últimos
8 minutos de vida do homem em que ele acordou no corpo de novo e de novo e de
novo na tentativa de salvar Chicago de um trem desgovernado.
8 minutos + 8 minutos + 8 minutos e por aí vai
e no final a gente descobre que ele não está no corpo de ninguém e que ele
mesmo não tem nem meio corpo.
O gabinete do Dr Caligari
Em 1920, chega num vilarejo expressionista o
Dr Caligari, um hipnotizador, acompanhado de Cesare, um sonâmbulo que
supostamente estaria adormecido há 23 anos (e foi o 1° a usar franja emo na
história do cinema).
O Dr Caligari impressiona o vilarejo de dia,
o sonâmbulo Cesare aterroriza o vilarejo à noite e no final a gente descobre
que na realidade a realidade não é bem assim, o vilarejo expressionista não
existe e é tudo obra de uma mente perturbada.
2 Coelhos
Embora esteja mais para filme “a realidade na
realidade não é o que parece” do que “na realidade a realidade não é real”,
este filme está aqui por 2 motivos: primeiro porque eu nunca falo sobre filmes
nacionais e este é uma filme nacional que merece ser falado, e, segundo, eu
precisava dele para somar “10 filmes
que a realidade da realidade, na realidade, não é real”.
Idiotices à parte, neste filme, como minha
irmã disse, o roteiro dá um nó de escoteiro e você realiza que a realidade
realmente não é o que dava a entender que era: o herói não é herói, a mocinha é
uma vadia, o vilão não é quem você pensa ser e que, na real, somos todos vítimas
do sistema, mas alguns resolvem explodir as coisas para destruindo reconstruir.
Destaque para as partes em que o carinha “entra”
num jogo de videogame e que a mocinha toma tarja preta e mata suas neuras a
espadadas.
Este
post contém violência, linguagem chula, revolta, violência, violência e a minha
opinião inútil.
AVISO 2:
É
altamente desrecomendado que você (ou qualquer um) leia este post.
AVISO 3:
Vai
ler memso esta bagaça? Então tá. Só não diga que eu não te avisei.
E dito isso eu estou habilitada a dizer as
barbaridades que eu quiser e bem entender
Ninguém mais fala sobre nada, eles
apenas regurgitam o que vêem na TV, ouvem no rádio ou vêem na web. Quando foi a
última vez que você realmente conversou com alguém, sem que ficasse mandando
mensagens ou olhando para a tela ou o monitor? Uma conversa sobre algo que não
fosse celebridades, fofocas, esportes ou pop-política? Sobre algo importante?
Sobre algo pessoal?
Eu defenderia sua liberdade de
expressão, se achasse que ela está ameaçada. Eu defenderia sua liberdade de
expressão de querer mostrar piadas racistas, sobre gays, de estupro e mau gosto
sob o pretexto de ser “ousado”, mas isso não é ser “ousado”, isso é apenas o
que vende. Eles não poderiam abusar mais da baixaria comercial. Porque está é a
geração do “não, você não disse isso”, onde um comentário chocante tem mais
peso que a verdade. Ninguém tem mais vergonha e nós deveríamos celebrar isso? Eu
vi uma mulher jogando um absorvente usado em outra na TV noite passada, em um
canal que alega ser para mulheres modernas. Crianças batendo umas nas outras e
postando no Youtube. Lembra-se quando comer ratos e vermes em “Suvivor” era
chocante? Hoje é quase banal. Tenho certeza de que as garotas de “2 Girls, 1
Cup” vão ter seu próprio programa de encontros na VH1 a qualquer momento.
Sendo assim, por que ter uma
civilização se não estamos mais interessados em ser civilizados?
O
texto acima foi tirado de umas das cenas do começo do filme God Bless America
dirigido pelo ator e comediante Bobcat Goldthwait (do nostalgicamente-sessão-da-tarde “Loucademia
de Polícia”).
A história começa quando Frank, desgostoso com
todo o barulho “sem conteúdo” que é vomitado em suas orelhas dia e noite,
descobre que está com câncer no cérebro e tenta se matar. Com o cano da arma
dentro da boca e diante de uma televisão que sintonizada em um realiti show
onde uma adolescente rica tem um chilique por conta dos detalhes de sua festa
de 16 anos (referência clara ao “My Super Sweet Sixteen” da MTV), diante da
cena ele resolve que antes de morrer vai matar a chiliquenta. Depois de dar
cabo da vida privilegiada da adolescente histérica, Frank conhece Roxy, que
estudava com a jovem assassinada e que nutre o mesmo desprezo pela civilização.
Roxy convence Frank a seguir exterminando os fúteis espalhados pela America. A
partir daí sobram críticas (e balas) para todos os lados.
Antes mesmo do lançamento o filme já era escorraçado
por aqueles que achavam que o banho de sangue era mais apologia à violência e
às armas do que crítica a qualquer coisa. Mas, na minha opinião inútil, o banho
de sangue é totalmente justificado e toda a violência do filme não tem nada de gratuita.
Este é mais um daqueles casos em que a ficção ousa falar (e mais precisamente
fazer) o que a realidade não nos permite.
Com o nome do filme ironicamente sugere, God
Bless America é uma crítica ao culto à futilidade que domina os meios de
comunicação dos EUA, mas já que brasileiro adora copiar o pior de tudo quanto é
canto (e não só da terra do Tio San) acredito que a crítica também vale para
nós (o “nós” nesse caso pode muito bem ser interpretado como “nós, a raça
humana”).
Esta lista (inútil) é sobre filmes que me fizeram ter pesadelos e não necessariamente sobre filmes de terror. Aviso logo que Jason, Freddy Krueger e o velho decrépito de Jogos Mortais não habitam este post (muito embora habitem os pesadelos de meio mundo).
E dito isso comecemos logo a bagaça da lista
A História Sem Fim
Dizem que a primeira impressão é a que fica. Eu sou a prova de que nem sempre é assim.
Hoje eu sou viciada em filmes, mas a primeira vez que meus pais me levaram para ver um filme e eu vi A História Sem Fim se desenrolar na tela, eu abri o berreiro e não teve o que me convencesse a calar a boca.
O trauma de filme não resistiu no meu cérebro, já o trauma de A História Sem Fim... Só de olhar pra foto deste dragão que mais parece um poodle escovado gigante já me dá agonia.
Fogo no Céu
Hoje em dia se assistisse esse filme eu ia passar as quase duas horas dele falando besteira, mas na época eu tinha no máximo uns 10 anos de idade, então a história do lenhador que é levado por um jato de luz, sequestrado, examinado e sei lá mais o que “ado” por ETs me deixou bem impressionada.
Além dissos reza a lenda que o filme é baseado em história real. E todo mundo sabe que pesadelos com ETs são os mais ruins de pior.
O filme canadense conta a história de Yannick Bérubé, estudante de cinema (tinha que ser) que ao tentar filmar as ruas de seu novo bairro e andar de bicicleta ao mesmo tempo acaba se estabocando no chão. Todo estropiado, o ciclegrafista (mistura de cinegrafista com ciclista) vai pedir ajuda justo na casa de um taxista que pensa que está fazendo justiça matando aqueles que ele julga nocivos à sociedade e ao bom funcionamento do mundo.
O que assusta é que o vilão da história é um cara normal, pai de família e com cara de tonto. Em vez de corpos multilados ou serial killer pulando do nada, o terror aqui é psicológico.
Como Yannick acaba vendo mais do que devia, Jacques Beaulieu (o taxista com cara de tiozão) o mantém preso em sua casa e todas as noites o desafia para uma partida de xadrez, deixando cada vez mais claro que Yannick pode até fugir mas jamais irá vencê-lo.
A cereja do bolo é uma partida de xadrez onde as peças são corpos embalsamados. É pra fazer ter pesadelos e revisar o estômago (não necessariamente nesta ordem).
A Chave Mestra
Colocam aquela loirinha que só faz comédia romântica pra fazer filme de suspense e o resultado só podia ser pesadelo mesmo.
E prova de que todo protagonista de filme de terror é um azarão é que, entre tanta gente precisando de enfermeira particular em New Orleans, a personagem da Kate Hudson vai arrumar emprego justo com um casal de voodoozeiros.
Mais uma vez, não foi preciso sangue jorrando pra me impressionar. A grande sacada em A Chave Mestra é que só se você acreditar que o mal existe é que o mal pode te assombrar.
Eu não acredito em voodoo, no mal e nem que a Kate Hudson ia aceitar um empreguinho chumbrega de enfermeira particular para um casal estranho, mas depois de assistir o filme eu tive um belo dum pesadelo em que eu não conseguia mexer meu braço porque alguém (!?) estava controlando meus movimentos (!?!?!).
O Orfanato
Já que o tema desta lista é pesadelos, as crianças não poderiam ficar de fora (já que criança é um treco bem assustador). E se o filme é falado em espanhol aí que a coisa fica pior ainda.
Todo mundo já assistiu O Orfanato então nem vou ficar falando muito sobre a história.
O destaque fica para a cena em que a protagonista brinca de esconde-esconde com os fantasmas dos antigos internos do orfanato. Cada vez que ela vira as crianças se aproximam, mas quando ela olha elas permanecem parada. Essa cena me deu tanta agonia que eu desembestei a falar, o pessoal que estava comigo começou berrar me mandando calar a boca, e eu continuei falando e falando e o povo berrando. Uma baixaria. E um pesadelo na noite seguinte.
A Espinha do Diabo
Outro filme em espanhol com crianças, que se passa em um orfanato e é do Guillermo de Toro.
No meio da Guerra Civil Espanhola, o menino é largado num orfanato caindo aos pedaços e assustador, que é dirigido por uma aleijada e onde as crianças o recebem com hostilidade e violência. Como se não basta tudo isso, o menino (que tem uma sorte do caramba) é visitado por um fantasma de um dos internos do orfanato (tá certo falar “internos do orfanato”?) que foi brutalmente assassinado na instituição e implora por alívio para o seu tormento. Depois de um tempo o fantasma descobre que não quer alívio, quer vingança e ainda por cima fica alardeando sobre uma tragédia iminente.
A cena em que o moleque tenta pular uma janela e vira o pé fez meu estômago parar na nuca e minhas canelas gelarem.
Pesadelo na certa.
Super Xuxa Contra o Baixo Astral
Imagina A História sem Fim depois do ácido e você tem Super Xuxa Contra o Baixo Astral.
A mulher conversa, canta e dança com uma lagarta chamada Xixa. Precisa falar mais alguma coisa?
Mais do que pesadelos, esta porra causou problemas mentais em uma geração inteira.
E acho que para falar, cantar e fazer coreografia junto com uma lagarta só fazendo uso de drogas mesmo.
Mas a moral do filme é bonita: a lagarta Xixa vira borboleta e a Xuxa vence o baixo astral sem precisar tomar Valium, Prozac, Zolof ou qualquer outro medicamento.
(Só para o post de hoje não ficar sem AVISO) O número 13 no título do post não tem qualquer significado além de dizer que abaixo segue uma lista com 13 clipes inspirados em filmes.
Dr. Fantástico + Muse
Se você prestar atenção na letra de Time Is Running Out vai perceber que ela serve tanto como uma canção de amor (um amor meio doente e viciado, mas tudo bem) como pode ser interpretada como uma música sobre um holocausto nuclear.
Holocausto nuclear (ou a tentativa de evitar um – ênfase para o “tentativa”) também é o tema de Dr. Fantástico, filme de 1964 e um dos melhores trabalhos do Stanley Kubrick.
Reza a lenta que o diretor do clipe chegou para a banda com a idéia de misturar o filme do Kubrick com mulher seminuas dançando. E o resultado foi esse aí.
Corra, Lola corra + Yellowcard
Se não fosse pelas fileiras de freiras (fala rápido três vezes “pelas fileiras de freiras”) que atrapalham a fuga de Ryan Key eu nem teria notado que o clipe de Ocean Avenue é inspirado em Corra, Lola Corra.
No filme alemão de 1998, Lola recebe um telefonema de seu namorado que acabou de perder uma pequena fortuna que transportava numa espécie de teste para provar que um bando de criminosos podia confiar nele, desesperado ele conta a ela que tem 20 minutos para recuperar o dinheiro e é aí que a correria começa. Já no clipe, o vocalista corre, corre e corre para recuperar um maleta e fugir da própria banda.
Corre, Ryan corre.
O Iluminado + 30 Seconds to Mars
Outro filme do Kubrick que “virou” clipe.
De 1980, O Iluminado conta a história de um cara contratado para ser vigia de um hotel durante o inverno. Ele arrasta a família para o meio do nada e fica lá isolado tomando conta do hotel, com o passar do tempo o isolamento faz com que ele desenvolva um desejo assassino de exterminar a própria família e seu filho desenvolve uma carie (um amiguinho) que fala dentro de sua boca.
Para The Kill ser um remake de O Iluminado só faltou o Jared Leto descendo o machado na porta do banheiro, colocando a cara no rombo aberto a machadadas e imitando a careta do Jack Nicholson.
Moulin Rouge + The Killers
O filme de Baz Luhrmannque levou quase dois anos para ser filme e que custou a Nicole Kidman uma costela quebrada e o rompimento do menisco foi o primeiro musical em 23 anos a ser indicado para o Oscar de melhor filme (e é um dos poucos musicais que eu tolero).
No clipe de Mr. Brightside o The Killers fizeram sua versão de Moulin Rouge – O Amor em Vermelho sem a costela quebrada e o menisco rompido.
Brilho Eterno de uma Mente sem lembranças + Stars
Eu não conheço ninguém que não tenha gostado de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, então acho meio desnecessário ficar falando muito sobre o filme.
E pra falar a verdade, eu nem conhecia a música Your ex-Lover is Dead, acabei esbarrando nela quando fui pesquisar para o post. No vídeo a banda Stars revive uma das cenas de Joel e Clementine e a letra de Your ex-Lover is Dead parece contar a história de alguém que teve suas lembranças removidas como no tratamento que aparece no filme.
8 ½ + REM
De 1963, Oito e Meio de Federico Fellini começa com um sonho do personagem principal, o cineasta Guido Anselmi. Neste sonho Guido está preso em um engarrafamento, um carro quase colado no outro, de repente o carro começa a se encher de fumaça e Guido tem que sair do carro pela janela, com todas as outras pessoas presas no engarrafamento assistindo sua luta para não se asfixiar.
O REM pegou este enigmático sonho do Guido (ou seria do Fellini?) e transformou no clipe de Everybody Hurts.
Juventude Transviada + Paula Abdul
Antes da Paula Abdul virar jurada do American Idol e antes do Keanu Reeves vestir o sobretudo em Matrix ou usar gatos como passaporte para o inferno em Constantine, alguém decidiu que a música “Rush, Rush” tinha tudo a ver com o filme Juventude Transviada, de 1955 e com o James Dean no papel principal.
O resultado foi essa joça aí.
Um Corpo Que Cai + Faith No More
Imagine uma versão musical e um pouco mais bem humorada do filme de Hitchcock e você tem o clipe de Last Cup of Sorrow.
Os Homens Preferem as Loiras + Madonna
Sabe aquela música "Diamons Are A Girl’s Best Friend" que Nicole Kidman canta em Moulin Rouge? Marilyn Monroe cantou na comédia Os Homens Preferem as Loiras, de 1953. E mais do que servir de inspiração a cena é quase reproduzida com exatidão no clipe de Material Girl da Madonna.
A Fantástica Fábrica de Chocolate + Marilyn Manson
Mudando de Marilyn (não pude evitar o trocadilho idiota).
Marilyn Manson não habita os sonhos das crianças como a Fantástica Fábrica de Chocolate habita os sonhos dos chocólatras mirins desde 1971 (na verdade ele está mais propenso a habitar pesadelos), mas no clipe de Dope Hat ele vestiu o chapéu de Willy Wonka e saiu distribuindo doces para as criancinhas (do jeito dele, é claro).
Laranja Mecânica + Blur
Kubrick de novo.
Seja no visual ou na atitude, Alex Delarge já inspirou muita gente. Com os caras do Blur não foi diferente. No clipe de The Universal eles resolveram aderir ao visual dos drugues e foram à leiteria tomar um moloko.
Viagem à Lua + The Smashing Pumpkins
Para buscar inspiração para o clipe de Tonight Tonighto povo doSmashing Pumpkinscavou fundoaté topar com ocurta de 1902 do Georges Méliès Viagem à Lua.
No curta (e no clipe) uma expedição parte rumo a Lua e encontra por lá seres não muito amistosos.
Yellow Submarine + Kesha
Provavelmente se um beatlemaniaco ler isso aqui vai torcer o nariz diante desta associação.
Bom, eu não tenho nada a ver com isso. Foi a própria Kesha que em uma entrevista disse que a parte de animação do clipe Your Love is My Drug foi inspirada no filme de 1968.