sábado, 11 de setembro de 2010

dentro do cubo de gelo


descobrir que há uma trava dentro de você e que a chave está perdida, é uma grande desilusão.
por mais que tente ir além de seus limites, por mais que se possa ver ao longe, ainda assim, sabe que já corrente que o prendem e não o deixam ir além.
se toda paixão pudesse realmente durar tempo o suficiente para realmente virar paixão, talvez as histórias ao menos tivessem um final, mas não tem, é sempre momentâneo como um isqueiro, o fogo some em segundos...
parece até que as chaves dessa prisão nunca foram feitas, o limiar de sua existência se resume na sua perda, não há mais limites para sua própria limitação. perdeu-se o mais singelo sentido que trouxe até aqui. perdeu a capacidade, a vontade. em sua cela não encontra nada, talvez esteja tudo do lado de fora, mas o pouco tempo que sai, não se deixa levar por suas ilusões, sempre volta antes que possa deixar ver o que aconteceu.
segue pela sua trilha, muitas pessoas ao redor, talvez possa até deixar se levar pela empolgação de um momento que uma simples fagulha de paixão se acenda, mas não vai além disso, antes que possa ir além, parte para que não se envolva em nada que o desvie dos pensamentos solitários.
nunca soube dizer quando começou, ou porque faz isso, mas sente-se bem, até onde se sabe, fazendo isso, prefere não acreditar, ao invés de se permitir uma brecha onde possa chegar e ter que abrir mão do que tem até aqui, talvez, não tenha nada, ou pode ter tudo, a liberdade é um preço caro, caro demais, mas que resolveu pagar com sacrifício de seguir como é...
não vê como pode abrir mão, não acredita que possa abrir mão disso. talvez tenha mesmo razão e esteja certo. mas a verdade é que isso tudo corrói seus pensamentos, imagina o tempo todo como poderia ser, se fosse diferente, mas é o máximo que se permite, imaginar. não consegue mais acreditar que pode encontrar a felicidade de outra maneira, apenas estar ao redor de suas amizades tem sido o suficiente. é. talvez esteja certo, mas por que é que tem tido tantas duvidas sobre isso então?
aprendeu a diferenciar a admiração da paixão, coisa que tempos atrás, era a mesma coisa, hoje não, apenas sente a falta de chegar além da admiração, de poder dizer que está cego, que pulou acreditando que podia voar. não faz mais isso, só porque não quer ir além. não por medo de se machucar, mas por medo de machucar um outro coração. então é mais sensato abraçar sua meta, mesmo que seja acompanhado da solidão.
mas o tempo sempre corre contra, apertando os espaços deixados, mostrando o que foi perdido, sente a dor dessas perdas, mas não se ajoelha, não cai, prefere suportar e seguir de pé, como se nada pudesse derrubar, mas a grande verdade é que já está nocauteado há algum tempo.
não se deixa envolver. não se permite ir além, criar expectativas além de sua ansiedade, mas passa a ansiedade, tudo começa do zero, ou melhor, tudo volta ao zero, porque é assim que acredita que tem que ser.
eis que surge a sua grande duvida. por que faz isso? por que não se deixa levar, por que não se apaixonar? uma hora vai ter que acontecer, que droga, sabe bem que a única verdade é que sim, sente falta de estar apaixonado sim, sente essa falta, mas seu orgulho jamais o deixará admitir isso, ainda mais para si. isso sim seria uma enorme derrota.
mas para ganhar, precisa perder o caminho, precisa da ilusão, do sonho, precisa sim da paixão, porque faz falta e muito. assim que assimilar realmente que admite isso, pode ser o primeiro grande passo para que volte onde não devia ter parado, descartado como um simples rascunho.
então, hoje seu consciente e inconsciente pedem juntos que se deixe levar, que se deixe apaixonar, ao menos uma vez e que seja de verdade, não apenas uma empolgação passageira. deixe se levar, deixe acontecer, não vai chegar a lugar algum seguindo os raios de luz que se apagam tão rapidamente quanto surgem. deixe. sinta, ao menos uma vez e que seja real. iluda-se.
nunca achei que chegaria o momento que pediria isso, mas foi preciso. é tão óbvio que não quer ver. mas hoje é o que peço a mim mesmo. deixe se levar. e que seja de verdade. que seja por algo que abandonou e não devia ser deixado pra trás. não há mais porque estar alerta o tempo todo, baixe a guarda, isso tudo já durou tempo demais, já sabe que precisa e que quer se apaixonar, agora é a hora de deixar acontecer...

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

vendavais

perdido em seu inconsciente, o tempo se esvai, ele vê as armadilhas serem levadas pelo vendaval do deserto, pensa em como era o tempo em que lutou para se libertar, mas foge o pensamento em sua luta por seguir o caminho, agora devastado pela tempestade de fogo que vem do vulcão...

às vezes parece que tudo deu certo, ao mesmo tempo em que seus pensamentos desmoronam, seguidos de uma avalanche de emoções. quisera que fosse um sonho ruim. seria apenas despertar para por um fim nisso tudo, mas hoje não é tão simples...

não há armas para lutar, não há quem combater, mas ele segue a espreita, caminhando entre sombras, se disfarçando por mero receio de ser encontrado, não, isso não pode acontecer, colocaria um fim a tudo que foi feito até agora... no meio desta multidão de egos que o vigia, ele precisa a todo custo manter seu rumo, mesmo que não saiba onde precisa ir...

tudo parece estar desfocado, não há um caminho ou mesmo uma imagem que consiga lembrar de nada, sobra apenas aquele borrão de um dia que talvez tenha sido o princípio de tudo, quando decretou seu próprio fim.

"desistir" é completamente fora de questão, abandonar, por que? não há muito até agora, não haveria porque não deixar algo de lado, talvez apenas quando assumir a derrota é que a chance de vencer reapareça, mas ainda assim, tem que existir outro caminho, tem que ter um outro jeito, mesmo que siga perambulando por entre todas estas mácaras quebradas ao chão, ele sabe que não é a hora de se entregar a exaustão, precisa se levantar mais uma vez, acreditar no que nem ao menos sabe se ainda é real... mas que talvez ainda exista e o faça reencontrar suas memórias de um mero minuto que se perdeu entre os escombros de um dia de sol.

e esta noite, há uma luz que o leva num rumo desconhecido, talvez até sem volta, mas para quem veio até aqui sem saber o motivo, o que é que se tem para perder? mas aquela sombra que antes o perseguiu começa a ganhar formas e cores... agora tudo está claro e a realidade perdida volta a fazer algum sentido dentro de toda a insanidade vivida até aqui, mas talvez a loucura seja seu escape de um mundo que ele ignorou, entretanto, sempre existirão riscos em todos os lados, é hora de se deixar levar outra vez pelo maremoto de confusões que o levaram até aqui... é hora de abrir novamente os portões para enfrentar o vendaval de venus, que tanto evitou...

disco de vinil

às vezes as coisas mudam e a gente não percebe, quando se dá conta, já foi...
não que seja algo ruim, não, mudanças sempre são muito bem vindas... afinal, este é um mundo complacente...

muitas histórias se repetem o tempo todo...
outras começam a partir de um ponto final, mas nunca são retomadas após a interjeição de ponto e virgula... estranho pensar nisso, não?

talvez o mundo seja uma mimese utópica, mas e daí?
ainda vamos chegar onde precisamos... e sabemos que há várias trilhas sonoras que vão estilhaçar as vidraças por onde passarmos... transbordando a insensatez, perpetuando toda a descrença já perdida...

e nada que não tenha começado...
vai ficar ficar pelo caminho... lá...

onde foi?

foi preciso apenas um instante para o castelo ruir aos escombros de um ferro velho abandonado em uma borracharia em chamas...
sob as tempestades de mármore, disparando relampagos de ironia numa cidade dispersa sob calmantes e irradiando um assombroso pavor de conhecer a paz...

um dia todos irão olhar acima das nuvens e os outros os estarão observando passo a passo...

um tijolo que cai da prateleira, abre a escapatória surrealista daqueles que não foram contaminados pelas mesmas palavras do sonho perfeito, para eles sempre haverá o irreal inatingivel e a verdade desacreditada que um dia foi amassada e esquecida naquele beco escuro...

nada além

seguiu o rastro seguido apenas pelo perfume, perdeu-se dentro do armazem. não sabia como chegou, não lembrava. e nem ao menos estava inconsciente.

nada ao seu redor.
não havia nem ao menos um teto pra se proteger. sob seus pés um alçapão, mas ele estava tão inconstante que não conseguia nem ao menos cair.

um dia tudo que foi levado ao canteiro de rosas, carregado pela brisa de uma morna primavera, ecoando pelo salão onde os oficiais sentam e tomam seu café... um dia tudo isso vai retornar para as prateleiras daquela biblioteca rustica no centro daquela cidade do interior, quase esquecida...
e eis que então...
o que era real vai ser apenas uma lembrança de um dia que se congelou no inverno da geladeira dentro daquele velho comercial que passou na tv...
até lá...

um dia... um dia....

domingo, 15 de agosto de 2010

os grãos

não será como antes... não mais....
um grão de açucar perdido num vendaval...
levado por um mar de areia escaldante...
resíduos de tinta sujam o carpete que só estava empoeirado...
sublime lembrança... copo d'água trincado e o sol se esconde através das nuvens...

pra onde foram as estrelas que vi?
inconsciente perdido, consiencia insandecida, tudo ao mesmo tempo, tudo dentro da garrafa que foi levada pelo nomade pensamento que procura o penhasco onde vai saltar pra encontrar sua queda para gloria eterna de uma lembrança que se perdeu no apogeu de uma mente sã...

tudo ao mesmo tempo... agora....

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Eu não esqueço!!!

Eu ia dar um tempo maior pra postar por aqui, mas tem algo que anda me incomodando faz tempo...

Alguém já ouviu falar de um deputado chamado Gerson Peres?
É li sobre ele, tá com a idéia insensata de querer que todos os blogueiros sejam cadastrados no registro.com.br, INCLUSIVE que o dono do blog seja responsável pelos comentários anonimos... oooooooooooooh... será que ele se sentiu ofendido por alguém que comentou anonimamente??

De boa, eu falo NÃO EXISTE POLÍTICO HONESTO, é como querer colher uma maçã num pé de jabuticaba. Oh não dá. Não existe.
Aí o que acontece?
Por que diabos querem moderar os blogs?
Porque é onde falamos o que pensamos, é onde uma grande parte de nós mostra que tem cérebro, que usa-o, que eventualmente pode fazer outras pessoas a questionarem sobre toda a corrupção já existente. Mas é claro que lá no senado isso sempre vai ser negado. Afinal NUNCA EXISTIU MENSALÃO e O SARNEY É COMPLETAMENTE INOCENTE... sim e nós somos o bando de babacas que mantém os ladrões lá.
E quando começamos a pensar (acredite nem é preciso muito esforço para isso), vemos que realmente só tem corrupto o que acontece? Inventam novas leis para desviar sua atenção, coisas pequenas sempre pra que "eles" deixem de ser assunto.

Ouvi muita gente dizer que o Lula melhorou o país. Eu me pergunto onde é que veem isso? Só porque aumentaram os crediários em tudo que é canto? ACORDEM, agora gastamos muito mais, se antes não dava pra ter, é porque realmente não te enfiavam uma faca lentamente suguando cada ml do teu sangue. Agora, é isso que fazem. Por quê? Vamos pensar. Antes da "era Lula" não eram todo mundo que podia ter carro. Não. Era muito caro e não se parcelava tanto. Hoje parcela mais um carro do que uma casa e você nem precisda dar garantias de pagamento. Revejam quanto realmente estão gastando, ok. Mas também não pensem que dessa forma eu tô defendendo o FHC, acho que ele é tão desonesto quanto qualquer outro político. Por isso não confio em nenhum, tanto é que se um dia eu avisar vocês que vou me candidatar a qualquer posto do governo, não votem em mim, sério.

A política aqui no nosso país é algo tão bisonho que esses dias eu li que "Mulher Melão" é candidata, assim como o Tiririca e o Dedé Santana. Não. Parei mesmo. Mas sabe o que ainda pior que saber que esse pessoal é candidato? É saber que eles são melhores opções do que a corja que está por lá. Eu não gosto de Copa do Mundo e nem desse papo furado de que temos que ser patriotas quando a seleção tá em campo. Pro inferno. Eu sou patriota sim. Mais ainda na época de eleição. Sabe por quê? Porque eu não esqueço o nome de quem roubou, quem fez tudo acabar em pizza, quem encobriu quem. NÃO. EU NÃO ESQUEÇO. E não voto em vocês.

Aliás, é até legal falar disso porque ultimamente ando recebendo muito email de candidatos ao senado. Eu vejo o nome de quem é. Não leio. Apago. Sim, é ignorância da minha parte, mas não vou ficar lendo o que eles querem que eu saiba deles, porque já fui assessor de imprensa em época de eleição, sei como é escrever essas cartas para cada público e eu não caio nessa. Pior de tudo é que, por muito tempo eu acreditava na política, achava mesmo que existiam pessoas sensatas e honestas. Hoje isso mudou. Acredito sim que esses seres vão aparecer, quem sabe daqui uns 4, ou 5 milênios, chutando baixo. Porque realmente não acredito que "honestidade" e "política" possam caminhar juntas antes disso. Até que se prove o contrário e realmente façam deste um país melhor, estarei sempre disposto a criticar porque eu leio. E muito. É a grande arma contra os corruptos.

Afe, só dei porrada até aqui, mas falei mesmo (ou melhor, escrevi) o que penso.